Ancelotti recebe mais que o dobro da soma dos salários dos técnicos que chegaram à final da Copa

Mesmo sem chegar à final do Mundial de 2026, treinador da Seleção Brasileira segue com o maior salário entre os comandantes das principais seleções, superando com folga Lionel Scaloni e Luis de la Fuente

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A final da Copa do Mundo de 2026 reuniu dois dos técnicos mais bem-sucedidos do futebol internacional na atualidade. Lionel Scaloni conduziu a Argentina até mais uma decisão mundial, enquanto Luis de la Fuente levou a Espanha ao segundo título da história da seleção espanhola. Apesar do protagonismo esportivo, nenhum dos dois se aproxima de Carlo Ancelotti quando o assunto é remuneração.

O treinador da Seleção Brasileira continua sendo o técnico de seleção mais bem pago entre os protagonistas do Mundial. Seus vencimentos anuais superam, com ampla margem, a soma dos salários recebidos pelos comandantes de Argentina e Espanha, equipes que disputaram a taça neste domingo (19).

A diferença evidencia não apenas o investimento realizado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), mas também as trajetórias distintas percorridas pelos três treinadores.

Ancelotti lidera ranking de salários

Contratado pela CBF para recolocar o Brasil entre os protagonistas do futebol mundial, Carlo Ancelotti recebe aproximadamente 10 milhões de euros por ano, valor equivalente a cerca de R$ 58,2 milhões.

O salário coloca o italiano em um patamar semelhante ao dos técnicos mais valorizados do futebol europeu e representa um dos maiores investimentos da história da Seleção Brasileira em sua comissão técnica.

A remuneração também reflete um currículo considerado único no futebol mundial.

Ancelotti é o único treinador a conquistar os campeonatos nacionais das cinco principais ligas da Europa — Inglaterra, Espanha, Itália, Alemanha e França — além de acumular cinco títulos da Liga dos Campeões da UEFA, marca inédita entre técnicos.

Sua contratação foi tratada pela CBF como uma aposta estratégica para encerrar o longo período sem títulos mundiais do Brasil.

Apesar da expectativa, a campanha brasileira terminou nas oitavas de final da Copa de 2026, após a derrota por 2 a 1 para a Noruega.

Scaloni recebe menos de um quarto do salário do brasileiro

Mesmo sendo um dos técnicos mais vitoriosos do futebol de seleções nos últimos anos, Lionel Scaloni recebe um salário significativamente inferior ao de Ancelotti.

O treinador argentino tem vencimentos estimados em 2,3 milhões de euros por temporada, cerca de R$ 13,5 milhões anuais.

Isso significa que o comandante da atual geração argentina recebe menos de um quarto do valor pago ao técnico da Seleção Brasileira.

A diferença chama atenção diante dos resultados conquistados por Scaloni desde que assumiu o comando da Argentina.

Sob sua liderança, a equipe venceu a Copa do Mundo de 2022, conquistou duas edições da Copa América e realizou uma das campanhas mais consistentes das Eliminatórias Sul-Americanas dos últimos anos.

Em 2026, voltou a levar a Argentina à decisão do Mundial, mas acabou derrotada pela Espanha na prorrogação.

De la Fuente também recebe salário inferior

O técnico campeão do mundo, Luis de la Fuente, também está distante dos valores pagos pela CBF a Carlo Ancelotti.

Segundo estimativas, o treinador espanhol recebe aproximadamente 2 milhões de euros por temporada, o equivalente a cerca de R$ 11,7 milhões.

Seu salário aumentou após a conquista da Eurocopa de 2024.

Antes do título europeu, De la Fuente recebia aproximadamente um terço do valor atual, refletindo a confiança adquirida junto à Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) após a sequência de bons resultados.

Com a conquista da Copa do Mundo de 2026, o treinador consolidou definitivamente seu nome entre os principais comandantes do futebol internacional.

Trajetórias diferentes explicam disparidade

A diferença salarial entre os três técnicos também está diretamente relacionada às trajetórias profissionais de cada um.

Carlo Ancelotti chegou ao comando da Seleção Brasileira após construir uma carreira histórica no futebol de clubes.

Ao longo de décadas, dirigiu algumas das equipes mais tradicionais da Europa, conquistando títulos nacionais e internacionais por Milan, Chelsea, Paris Saint-Germain, Bayern de Munique, Real Madrid, Napoli e Everton.

Esse histórico fez da contratação do italiano uma das mais importantes já realizadas pela CBF.

Scaloni e De la Fuente seguiram um caminho bastante diferente.

Ambos desenvolveram praticamente toda a carreira dentro das estruturas de suas respectivas federações nacionais antes de assumirem as seleções principais.

Scaloni transformou solução provisória em ciclo vencedor

Ex-lateral-direito da seleção argentina, Lionel Scaloni iniciou sua trajetória como treinador integrando a comissão técnica comandada por Jorge Sampaoli durante a Copa do Mundo de 2018.

Após a eliminação naquele torneio, assumiu interinamente o comando da equipe.

Inicialmente visto como uma solução temporária, conseguiu renovar o elenco argentino, promover jovens talentos e formar uma geração que recolocou o país entre as maiores potências do futebol mundial.

Sob seu comando, a Argentina encerrou um longo jejum de títulos internacionais e viveu um dos períodos mais vitoriosos de sua história recente.

De la Fuente construiu carreira nas categorias de base

Na Espanha, Luis de la Fuente também chegou ao comando da seleção principal após um longo trabalho interno.

Grande parte de sua carreira foi desenvolvida nas categorias de base da Federação Espanhola.

Durante esse período, conquistou títulos europeus com as seleções sub-19 e sub-21, além da medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Tóquio.

Com a saída de Luis Enrique, no fim de 2022, foi promovido ao comando da equipe principal.

A aposta rapidamente trouxe resultados.

Em 2024, conquistou a Eurocopa. Dois anos depois, levou a Espanha ao bicampeonato mundial ao derrotar justamente a Argentina na final da Copa do Mundo de 2026.

Investimento e resultados nem sempre caminham juntos

A comparação entre os salários evidencia que o investimento financeiro nem sempre se traduz automaticamente em conquistas dentro de campo.

Enquanto Carlo Ancelotti lidera com ampla vantagem a lista de remunerações entre os técnicos das principais seleções, foram Luis de la Fuente e Lionel Scaloni que protagonizaram a decisão da Copa do Mundo de 2026.

Ainda assim, a CBF mantém a aposta no currículo e na experiência internacional do treinador italiano como pilares para recolocar o Brasil na disputa pelos principais títulos do futebol mundial nos próximos ciclos.

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