Alcolumbre negocia cargos e emendas para manter comando do Senado e conter o PL

Disputa marcada para fevereiro de 2027 envolve espaços no governo, emendas e divergências sobre pedidos de impeachment de ministros do STF

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A disputa pela presidência do Senado em fevereiro de 2027 já movimenta negociações sobre cargos, emendas e espaços no governo federal, informa a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo. Interessado em permanecer por mais dois anos no comando da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) busca apoio entre parlamentares recém-eleitos enquanto enfrenta uma oposição fortalecida pela bancada de 29 senadores do PL.

O cenário é diferente daquele em que Alcolumbre conquistou a presidência com 73 dos 81 votos possíveis. Agora, o PL anunciou apoio a Rogério Marinho (RN), que coordenou a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, e pretende ampliar sua influência sobre a pauta do Senado.

Segundo as informações fornecidas, Alcolumbre tem reservado parte da agenda a encontros com os novos senadores. As conversas incluem a distribuição de gabinetes, vagas de garagem e acesso a recursos de emendas previstos no Orçamento do próximo ano, cuja elaboração ocorre antes da posse dos eleitos.

Cargos e emendas entram nas articulações

As negociações também alcançam os espaços que Alcolumbre e seus aliados, especialmente os partidos do Centrão, pretendem ocupar no quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva.

Entre as prioridades estão 18 diretorias de agências reguladoras que aguardam indicações presidenciais. O preenchimento desses postos depende de escolhas do Executivo e da aprovação do Senado. Conforme o relato apresentado, divergências entre Alcolumbre e o governo sobre possíveis nomes contribuíram para manter parte das vagas aberta.

Ministérios e estatais, incluindo o Banco do Brasil, também aparecem entre os espaços de interesse do grupo político do presidente do Senado.

Para o governo, a permanência de Alcolumbre representa a possibilidade de preservar um interlocutor que teve papel na votação do fim da escala 6×1 e na aprovação da PEC da Segurança Pública. Para os partidos do Centrão, a disputa oferece uma oportunidade de manter influência sobre decisões e recursos federais após as perdas eleitorais.

Impeachment de ministros divide os grupos

O tratamento dos pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal é outro ponto central da eleição interna. Alcolumbre tem sinalizado que não pretende colocar esses processos em votação enquanto estiver à frente da Casa.

A posição contraria parlamentares eleitos com a promessa de defender o afastamento de integrantes do STF. Esse grupo, descrito no debate político como “bancada do impeachment”, reúne senadores que pretendem pressionar por uma mudança na condução do tema.

Nesse contexto, a eleição da Mesa Diretora interessa tanto ao Palácio do Planalto quanto aos integrantes do Supremo, especialmente Alexandre de Moraes, alvo recorrente de críticas de parlamentares bolsonaristas.

Relatoria do Orçamento amplia negociação

Uma das movimentações atribuídas a Alcolumbre foi a destinação da relatoria do Orçamento da União a Eduardo Gomes (PL-TO). O posto, considerado estratégico por sua influência sobre a distribuição dos recursos federais, estava inicialmente reservado ao MDB.

A escolha abre um canal de negociação com um integrante do partido que apoia a candidatura adversária. Ao mesmo tempo, coloca um senador da oposição em posição relevante na análise da proposta orçamentária do governo Lula.

O material de origem também levanta a hipótese de que uma composição política mais ampla poderia alcançar interesses relacionados às investigações sobre o Banco Master e os desvios no INSS. Entretanto, não apresenta elementos que comprovem a existência de um acordo para interferir nesses casos.

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