O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), afirmou que a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) foi instrumentalizada por parlamentares para atingir politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o senador, a votação também provocou um forte abalo na sua relação com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP).
Em entrevista ao site Bahia Notícias, concedida durante viagem oficial à China, Wagner disse que a sabatina deixou de avaliar critérios técnicos e se transformou em um embate político. Para ele, houve intenção deliberada de enfraquecer o governo. “Não queriam saber se ele estava preparado, queriam dar uma cacetada no presidente”, afirmou.
Sabatina virou disputa política
Jorge Messias, atual advogado-geral da União e aliado próximo de Lula, teve o nome rejeitado após meses de desgaste nos bastidores do Senado. A derrota foi interpretada no Palácio do Planalto como uma demonstração de força do comando da Casa e abriu uma crise política entre Executivo e Legislativo.
Wagner disse que contava com votos suficientes para aprovação e acusou parlamentares de atuarem contra a indicação de forma silenciosa. Segundo ele, houve articulações “por baixo do pano” que não foram percebidas a tempo pela base governista, o que resultou na derrota inesperada.
Relação com Alcolumbre se deteriora
O senador também saiu em defesa de Messias, afirmando que o aliado foi alvo de ataques políticos intensos durante o processo. Ele classificou o advogado-geral da União como um “ser humano maravilhoso” e criticou o ambiente de hostilidade na votação.
Wagner confirmou ainda que sua relação com Alcolumbre ficou “muito estremecida”. Segundo ele, o presidente do Senado defendia o nome do ex-presidente da Casa Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a vaga no STF, o que teria gerado atritos diretos com o governo.
Governo tenta conter crise
Após a derrota, integrantes do governo passaram a atuar para reduzir a tensão com o Senado. O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, se reuniu com Alcolumbre em busca de distensão e defendeu que não é o momento de uma nova indicação ao Supremo.
A estratégia, segundo aliados do Planalto, é aguardar o ambiente político arrefecer antes de retomar a discussão sobre a vaga no STF, evitando ampliar o desgaste institucional entre os Poderes.






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