Vorcaro negociou jatinho e helicóptero com esposa de Moraes em segundo contrato de R$ 50 milhões

Minuta localizada pela PF previa R$ 40 milhões em cotas de um jatinho e um helicóptero, além de R$ 10 milhões para reembolso de despesas com voos; escritório nega que a proposta tenha sido aceita.

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A investigação da Polícia Federal aponta que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro negociou a transferência de cotas de um jatinho e de um helicóptero como forma de pagamento por um segundo contrato, de R$ 50 milhões, com o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do STF.

Segundo uma minuta localizada pela PF, R$ 40 milhões seriam quitados por meio das cotas de um avião Legacy 650 e de um helicóptero EC 155 B1. Os R$ 10 milhões restantes seriam pagos como reembolso de despesas relacionadas aos voos. As mesmas aeronaves aparecem em mensagens trocadas por Vorcaro e pessoas ligadas à Prime Aviation.

Escritório nega que contrato tenha sido assinado

Em nota, o escritório de Viviane Barci de Moraes afirmou ter firmado apenas um primeiro contrato com o Banco Master, no valor de cerca de R$ 130 milhões. A banca negou qualquer “transferência ou substituição do contrato” e declarou que a proposta apresentada por Vorcaro não foi aceita.

Segundo o escritório, “nada foi assinado e o contrato original foi extinto com a liquidação do banco, o que encerrou qualquer vínculo com a instituição”.

PF aponta preocupação com pagamentos

Em uma conversa, Vorcaro afirmou a um advogado que “os ativos são deles já”, ao discutir quando as aeronaves deveriam ser transferidas. A investigação também identificou diálogos sobre a possibilidade de colocar os ativos em uma empresa chamada “Lux”, sem esclarecer se seria o Lex – Instituto de Estudos Jurídicos, ligado a Viviane e aos filhos.

A PF encontrou ainda mensagens que indicam preocupação com o chamado “risco reputacional” dos pagamentos. Em outro diálogo, um advogado de Vorcaro menciona a necessidade de “adotar uma estrutura diferente para a propriedade dos ativos ou não”.

A investigação aponta que a preocupação com a exposição também envolvia o primeiro contrato, de R$ 130 milhões. Em mensagens, Vorcaro teria classificado esse acordo como o “mais importante que temos”.

Pagamentos e documentos alvos de cobranças

Em março de 2024, mensagens mostram Vorcaro cobrando funcionários sobre pagamentos ao escritório. No mesmo período, ele orientou que os repasses não poderiam atrasar “nem um dia” e autorizou que fossem feitos “sem nota, do jeito que for”, segundo a PF.

Em abril de 2025, o ex-banqueiro determinou que o contrato físico fosse mantido sob acesso restrito, com a orientação de que “ninguém tenha acesso” ao documento dentro da instituição. Meses depois, questionou o pagamento de uma fatura por Pix e afirmou que “não é bom” realizar as transferências dessa maneira, indicando preferência pelas TEDs usadas anteriormente.

A PF também identificou que Alexandre de Moraes utilizou, ao menos em julho de 2025, uma das aeronaves citadas nas negociações. O avião, de prefixo PP-NLR, pertencia à Prime Aviation, empresa da qual Vorcaro foi sócio.

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