Vídeo: Mulher é agredida por morador de rua em Copacabana e marido faz pedido de socorro às autoridades

‘A barbárie não pode ser normalizada’; dublador cobra ação da prefeitura e do estado

O caso de violência que vitimou a esposa do dublador Mauro Horta em plena luz do dia, em Copacabana, gerou forte comoção nas redes sociais e expôs a vulnerabilidade da segurança urbana no Rio de Janeiro. A reportagem é exclusiva de O Globo, que acompanhou o desabafo de Horta, cuja companheira, identificada como Fernanda, foi brutalmente agredida por um morador de rua no início deste mês.

“A barbárie não pode ser normalizada”, declarou o artista, ao cobrar ações concretas da Prefeitura e do governo estadual para lidar com a situação de rua e a escalada de violência nas ruas da cidade.

O ataque ocorreu no dia 6 de junho, por volta das 10h30, quando Fernanda atravessava a Rua Barão de Ipanema. Segundo testemunhas, o agressor já havia tentado cometer um assalto pouco antes e desferiu três socos no rosto da vítima sem qualquer provocação. Ela sofreu duas fraturas no nariz, foi atendida por pedestres e levada ao Hospital Copa D’Or, onde passou por cirurgia. O suspeito foi contido por populares na Rua Bolívar e preso em flagrante pela Polícia Militar.

Em vídeo que viralizou nas redes, Horta relatou a experiência traumática vivida pela família e reforçou o apelo por uma atuação mais efetiva do Estado. Ele elogiou a resposta das polícias Civil e Militar, mas apontou a ausência de políticas preventivas. “Sei que o governador é responsável pela segurança pública, mas o prefeito é corresponsável. É preciso um trabalho sério e urgente para separar o joio do trigo”, disse, ressaltando que a maioria das pessoas em situação de rua não é criminosa, mas que episódios como o ocorrido exigem uma resposta mais estruturada.

Fernanda, mãe de três filhos — um deles autista e não verbal —, ainda não conseguiu retomar sua rotina. “Ela está sob forte estresse emocional. Nosso filho de 12 anos ficou extremamente abalado ao vê-la com o rosto machucado. Quando ela chegou em casa, ele correu para o quarto”, contou Horta, que não descarta acionar a Justiça. Ele também lamentou os comentários que tentaram relativizar a violência sofrida por sua esposa: “Nem o crime nem a dor devem ser relativizados. Isso afetou uma rede familiar”.

Em nota, a Subprefeitura da Zona Sul afirmou que irá se reunir com os moradores de Copacabana para discutir o problema. A Secretaria Municipal de Assistência Social (SMAS) informou que realizou, só em junho, 654 atendimentos e 86 acolhimentos institucionais no bairro. A pasta destacou que o acolhimento não é compulsório e que a Rua Barão de Ipanema integra o roteiro regular das equipes de abordagem. Já a Guarda Municipal disse apoiar as ações sociais e atuar em casos de flagrante delito.

O episódio reacendeu o debate sobre o papel dos governos municipal e estadual diante do crescente número de pessoas em situação de rua e dos riscos associados à falta de políticas públicas eficazes. Para Mauro Horta, a discussão precisa ir além da comoção momentânea: “Postei o vídeo depois de muito pensar. Fiz isso para alertar. Isso poderia ter acontecido com qualquer um”.

Veja o apelo de Horta:

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