Uma ação das polícias Civil e Militar contra traficantes do Terceiro Comando Puro (TCP) na Vila Aliança, entre os bairros de Senador Camará e Bangu, Zona Oeste do Rio, deixou ao menos seis mortos (a Polícia corrigiu o número, incialmente se pensava em oito), dois presos e levou pânico a moradores da região e quem seguia para o trabalho no fim da manhã desta quinta-feira (04). A Polícia Civil informou que busca Bruno da Silva Loureiro, o Coronel, acusado de mandar matar a jovem Sther Barroso dos Santos, de 22 anos, e José Rodrigues Gonçalves Silva, o Sabão da Vila Aliança.
Seis mortos, segundo os agentes, seriam suspeitos de tráfico que estavam em uma casa e faziam um pastor evangélico e uma criança reféns. Outros dois homens se pensou de início que teriam morrido durante confronto. Até às 15h10, mais dois suspeitos foram presos e, com eles, os policiais recolheram quatro fuzis e pistolas.
Bruno e José, segundo as investigações, se abrigaram na região, o que motivou operação emergencial das forças de segurança. Coronel, chefe do tráfico da Favela do Muquiço, é acusado de mandar espancar Sther até a morte após a vítima se recusar a ficar com ele durante um baile funk na comunidade da Coreia, na mesma região. Sabão comanda o tráfico da Vila Aliança e naquela favela, e também participou do crime.

Em vídeos publicados nas redes sociais, moradores filmaram dois helicópteros da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) — tropa de elite da Polícia Civil — trocando tiros com bandidos.
Em represália, traficantes bloquearam vias importantes e atearam fogo em barricadas e em ao menos quatro ônibus, como na Avenida Santa Cruz, uma das principais de Senador Camará.
“Muito tiro aqui em Camará, atenção aí, morador”, publicou um perfil nas redes sociais. “Muito tiro uma hora dessa, as crianças na escola, meu Deus”, relata uma moradora nas imagens. Quem seguia de trem para Senador Camará, precisou se jogar no chão para se proteger dos disparos. As imagens mostram o desespero de usuários do transporte. Assista:
Também participam da ação a Subsecretaria de Inteligência da Polícia Civil (Ssinte), a Subsecretaria de Inteligência da Polícia Militar (SSI), a Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), além da Core e o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope).
Impactos na rotina da população
A intensa troca de tiros interrompeu o funcionamento de unidades de saúde, transportes e a rotina de estudantes. Segundo o Rio Ônibus, seis veículos estão sendo utilizados como barricadas:
C30315 – 731 (Campo Grande x Marechal Hermes)
D13330 – 926 (Senador Camará x Penha)
D13149 – 926 (Senador Camará x Penha)
D13021 – 737 (Santissimo x Cascadura)
D86310 – 855 (Terminal Magarça x Terminal Deodoro via Bangu)
D86214 – LECD122 (Terminal Campo Grande x Bangu)
Ainda segundo o Rio Ônibus, outras seis linhas desviaram os itinerários desviados preventivamente. São elas:
- 731: Campo Grande – Marechal Hermes
- 737: Santíssimo – Cascadura
- 746: Jabour – Cascadura
- 803: Jabour – Taquara
- 926: Senador Camará – Penha
- SV790: Campo Grande – Cascadura
Por conta do tiroteio, a SuperVia informou que a circulação no ramal Santa Cruz opera da Central do Brasil até Bangu e de Campo Grande até Santa Cruz. O trecho entre as estações Senador Camará, Santíssimo e Augusto Vasconcelos foi suspenso desde às 10h.
No fim da tarde, voltou a operar da Central do Brasil a Bangu, e entre Campo Grande e Santa Cruz. Na última atualização, a Supervia informou, por volta das 19h, que a circulação entre Santa Cruz e Deodoro já estava em processo de normalização. Os trens paradores seguirão até os terminais com intervalo médio de 20 minutos, segundo a concessionária.
O Centro de Operações da Prefeitura do Rio (COR-Rio) destacou que motoristas devem evitar a região de Senador Camará, principalmente os acessos à Rua Coronel Tamarindo e Rua Doutor Augusto Figueiredo.
Agenda do Poder procurou as secretarias de Saúde e Educação do município e estado. Segundo a SMS, duas unidades de Atenção Primária precisaram suspender o funcionamento para segurança de pacientes e funcionários. Outras duas unidades mantêm o atendimento à população, mas tiveram de suspender as atividades externas, como visitas domiciliares.
Unidades de urgência e emergência não interrompem o funcionamento, conforme a pasta. Já a SES disse que unidades estaduais de saúde funcionam normalmente.

A Secretaria Municipal de Educação (SME) respondeu que as escolas seguem atendendo presencialmente; imagens flagraram alunos do GET Mario Fernandes Ribeiro se abaixando para se proteger dos disparos. A Secretaria Estadual de Educação (Seeduc) não retornou.






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