PF aponta viagens pagas por Vorcaro a Ciro Nogueira e revela gastos de quase R$ 500 mil

Relatório da Polícia Federal aponta que o banqueiro Daniel Vorcaro custeou despesas internacionais atribuídas ao senador Ciro Nogueira e descreve uma suposta relação voltada a interesses do grupo financeiro investigado

A retirada do sigilo de um inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) trouxe novos detalhes sobre a investigação envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Em relatório divulgado nesta terça-feira (16), a Polícia Federal afirma que os dois mantinham uma “relação instrumental” que teria sido utilizada para favorecer interesses ligados ao grupo financeiro comandado por Vorcaro.

Segundo os investigadores, a relação entre o empresário e o parlamentar ultrapassaria os limites de uma amizade pessoal. A PF sustenta que havia uma conexão baseada em benefícios mútuos, com supostas vantagens econômicas oferecidas ao senador em troca de atuação favorável aos interesses do banqueiro.

O documento lista uma série de benefícios que estariam sob investigação. Entre eles, a participação em empresa por valor considerado abaixo do mercado, pagamentos mensais identificados pelos investigadores, utilização de imóvel ligado ao banqueiro e o custeio de viagens internacionais.

De acordo com a Polícia Federal, apenas os gastos relacionados a deslocamentos internacionais atribuídos a Ciro Nogueira somam R$ 468.721,78. O valor inclui despesas com hospedagem, alimentação e outros serviços em destinos como Paris, Nova Iorque, Lisboa e Courchevel, tradicional estação de esqui nos Alpes Franceses.

Os investigadores afirmam ainda que o montante pode ser maior. Isso porque os cálculos apresentados não incluiriam integralmente o uso de aeronaves particulares e outros custos que permanecem sob apuração. No relatório, a PF afirma que os gastos totais associados às viagens superariam com facilidade R$ 500 mil.

Fotos anexadas ao inquérito mostram Vorcaro e Ciro Nogueira juntos em diferentes ocasiões, incluindo viagens ao exterior, jantares e deslocamentos em aeronaves privadas. As imagens passaram a integrar o conjunto de elementos analisados pelos investigadores no caso.

Entre os exemplos citados pela Polícia Federal está a estadia em um hotel de luxo em Nova Iorque, além de despesas em restaurantes de alto padrão. O relatório também menciona mensagens obtidas durante a investigação que tratam do pagamento de contas relacionadas à viagem do senador e de sua acompanhante.

O caso é investigado no STF pelos supostos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. A decisão que tornou públicos os documentos foi tomada pelo ministro André Mendonça. As apurações seguem em andamento e ainda não houve julgamento do mérito das acusações.

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