A Polícia Federal cumpriu nesta quinta-feira mandado de busca e apreensão na residência do senador Ciro Nogueira, ex-ministro da Casa Civil do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. A medida foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, no âmbito da Operação Compliance Zero.
Segundo a decisão judicial, a investigação conduzida pela Polícia Federal aponta indícios de que o parlamentar teria recebido vantagens financeiras indevidas do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
Entre os elementos citados pela PF estão pagamentos mensais que podiam chegar a R$ 300 mil, participação societária em empresa por valor abaixo do mercado, uso de imóvel ligado ao banqueiro e custeio de viagens internacionais, incluindo hospedagens, voos privados e despesas pessoais.
Na decisão, André Mendonça afirma que o conjunto de provas reunido até o momento sugere “possível prática de atos de corrupção, operações de lavagem de dinheiro, ocultação patrimonial e continuidade delitiva”.
O ministro também descreve Ciro Nogueira como “destinatário central” de supostas vantagens econômicas pagas pelo dono do Banco Master.
Viagens de luxo e despesas pessoais
De acordo com as investigações, Daniel Vorcaro teria arcado com despesas do senador em viagens internacionais realizadas nos Estados Unidos.
A Polícia Federal cita hospedagem no hotel Park Hyatt New York, em Nova York, considerado um dos empreendimentos de luxo da cidade, com diárias superiores a R$ 10 mil.
Os investigadores também mencionam pagamentos relacionados a restaurantes de alto padrão, voos privados e “outros gastos atribuídos ao parlamentar e à sua acompanhante”.
Segundo a PF, houve ainda disponibilização de cartão destinado à cobertura de despesas pessoais.
Entre os materiais analisados pela investigação estão comprovantes bancários, registros de viagens e troca de mensagens entre envolvidos.
Emenda ao FGC entrou na mira da investigação
Um dos principais pontos destacados pela Polícia Federal envolve uma emenda apresentada por Ciro Nogueira no Senado relacionada ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Segundo a investigação, a proposta legislativa teria sido elaborada dentro do Banco Master com o objetivo de ampliar a cobertura do FGC para investidores.
A emenda aumentava a proteção financeira do fundo de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. De acordo com os investigadores, a medida beneficiaria diretamente a estratégia de negócios do Banco Master, especialmente na captação de recursos por meio de Certificados de Depósito Bancário (CDBs).
A PF afirma que a redação do texto teria sido produzida pela assessoria da instituição financeira, encaminhada a Daniel Vorcaro e posteriormente impressa e enviada em envelope destinado a “Ciro” na residência do senador.
Entre as mensagens analisadas pela investigação, uma atribuída ao banqueiro chama atenção dos investigadores. Segundo a PF, após a apresentação da emenda, Vorcaro escreveu: “Saiu exatamente como mandei”.
A troca de mensagens é apontada pela Polícia Federal como um dos indícios de possível relação entre interesses privados e atuação parlamentar.
Investigação segue sob supervisão do STF
A Operação Compliance Zero investiga suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e favorecimento político envolvendo integrantes do sistema financeiro e agentes públicos.
Ao todo, o Supremo autorizou mandados de busca e apreensão em diferentes estados, além de medidas de bloqueio patrimonial.
Até o momento, a defesa de Ciro Nogueira sustenta que o senador não praticou irregularidades e afirma que ele está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
O caso segue em investigação sob supervisão do Supremo Tribunal Federal.






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