O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, comunicou ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, ainda nas primeiras horas desta quinta-feira, que o senador Ciro Nogueira seria o principal alvo da nova fase da Operação Compliance Zero.
A informação foi repassada logo após as equipes da Polícia Federal garantirem o cumprimento inicial das medidas determinadas pela Justiça, estratégia adotada para evitar riscos à execução da operação e impedir que o presidente do Senado fosse surpreendido pelo avanço das investigações.
Segundo apuração do blog da jornalista Ana Flor, a comunicação foi feita dentro das práticas de cooperação institucional entre os Poderes e também buscou evitar desgastes políticos entre o Congresso Nacional e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A nova etapa da operação investiga suspeitas de favorecimento político, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro.
Tentativa de evitar crise política
De acordo com a apuração, a comunicação direta entre Andrei Rodrigues e Davi Alcolumbre teve também o objetivo de reduzir possíveis ruídos políticos entre o Palácio do Planalto e o Senado Federal.
O movimento ocorre em meio a um ambiente já marcado por tensões recentes entre setores do governo e o presidente do Senado. Nos bastidores de Brasília, interlocutores acompanham com atenção a relação entre Alcolumbre e integrantes do governo federal, especialmente após articulações envolvendo futuras indicações ao Supremo Tribunal Federal.
Segundo o blog, havia preocupação de que uma operação envolvendo um senador influente da oposição pudesse ampliar atritos institucionais em um momento delicado da relação entre os Poderes.
Ciro Nogueira, ex-ministro da Casa Civil do governo Jair Bolsonaro, é uma das principais lideranças nacionais do Progressistas e possui forte influência política no Congresso.
PF pediu buscas em gabinete e escritório político
A reportagem também revelou que a Polícia Federal solicitou ao ministro André Mendonça autorização para realizar buscas no gabinete parlamentar de Ciro Nogueira no Senado e em seu escritório político.
O pedido, porém, não foi integralmente acolhido pelo magistrado.
Segundo a apuração, André Mendonça decidiu não autorizar diligências nesses locais, medida interpretada nos bastidores como uma tentativa de evitar maior turbulência política envolvendo o Senado Federal no contexto das investigações relacionadas ao Banco Master.
A decisão também buscaria reduzir impactos institucionais em um caso que vem provocando apreensão no meio político devido às relações mantidas por Daniel Vorcaro com integrantes de diferentes setores da política nacional.
Investigação avança sobre supostas vantagens indevidas
A Operação Compliance Zero apura suspeitas de repasses de vantagens econômicas indevidas, lavagem de dinheiro e possível troca de favores entre o banqueiro e agentes públicos.
Entre os elementos já citados nas decisões judiciais estão mensagens, registros bancários, viagens internacionais e supostos benefícios atribuídos ao senador.
Segundo investigações da Polícia Federal, Ciro Nogueira teria sido beneficiado com pagamentos mensais, uso de imóvel, hospedagens em hotéis de luxo e outras despesas custeadas pelo empresário do setor financeiro.
A defesa do senador nega qualquer irregularidade e afirma que ele está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.
O caso segue sob supervisão do Supremo Tribunal Federal e pode ter novos desdobramentos nos próximos dias.






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