Milhares de palestinos iniciaram nesta sexta-feira (10) o retorno para o que restou de suas casas na Faixa de Gaza, horas depois da entrada em vigor do cessar-fogo entre Israel e o Hamas. A trégua, anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, encerra oficialmente dois anos de uma guerra que devastou o enclave palestino e deixou centenas de milhares de pessoas deslocadas.
Segundo o acordo, as tropas israelenses começaram a recuar de áreas estratégicas, permitindo a reabertura de rotas como a estrada Al-Rachid — o principal eixo costeiro de Gaza — e a Salah al-Din, que corta o território de norte a sul. Imagens divulgadas nas redes sociais mostram longas filas de palestinos caminhando entre destroços e veículos avançando lentamente em meio à multidão. Muitos retornam a bairros inteiramente destruídos, após dois anos de bombardeios contínuos, fome e isolamento.
Primeira fase do acordo de paz
O cessar-fogo é parte de um plano de paz dividido em etapas. Na primeira, está previsto o fim imediato das hostilidades, a libertação de cerca de 2 mil prisioneiros palestinos e o retorno dos reféns israelenses capturados desde 2023. De acordo com o porta-voz das Forças de Defesa de Israel (FDI), Effie Defrin, as tropas estão “se preparando para receber os reféns” e reorganizando posições militares.
Israel ainda controlará 53% do território palestino
Em comunicado televisionado, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que cumpre agora uma promessa feita “às famílias dos reféns” desde o início da guerra. O exército israelense confirmou também a retirada do posto militar no Corredor Netzarim, ao sul da Cidade de Gaza — uma das áreas mais atingidas pelo conflito.
Apesar da trégua, o governo israelense continuará controlando cerca de 53% do território palestino, em comparação com mais de 80% durante os anos de ofensiva. Autoridades militares alertaram os palestinos para evitar regiões ainda sob vigilância israelense, como o Corredor de Filadélfia e áreas próximas a Khan Younis, onde permanecem contingentes das FDI.
Retorno entre escombros
A destruição causada pela guerra é visível em toda Gaza. Imagens de satélite e registros de agências internacionais mostram bairros reduzidos a ruínas, prédios inteiros colapsados e milhares de famílias dependentes de ajuda humanitária. Organizações de caridade voltaram a distribuir alimentos e água, enquanto equipes de resgate iniciam a busca por corpos e sobreviventes entre os escombros.
Ainda há incerteza quanto ao futuro da região. Muitos palestinos relutam em regressar definitivamente, temendo novos ataques ou a falta de condições básicas de moradia. O plano de paz mediado por Trump prevê, em fases posteriores, a reconstrução de Gaza com apoio internacional e garantias de segurança mútua.
Para uma população que viveu dois anos de bombardeios incessantes, o cessar-fogo representa o primeiro passo rumo à reconstrução — e à esperança de que a Faixa de Gaza volte a ser habitável.






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