A União Europeia anunciou nesta quinta-feira (29) que vai incluir a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã na lista de organizações terroristas do bloco. A decisão foi confirmada pela chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, e ocorre em meio ao agravamento da repressão a protestos no país e à escalada de tensões entre Teerã e os Estados Unidos.
Segundo Kallas, o bloco também deve impor sanções a indivíduos envolvidos em atos de violência contra manifestantes iranianos. A diplomata afirmou esperar que as medidas não inviabilizem completamente os canais de diálogo com o governo iraniano.
“Estamos impondo novas sanções ao Irã e também prevejo que incluiremos a Guarda Revolucionária Islâmica em nossa lista de organizações terroristas. Isso os colocará no mesmo patamar que a Al-Qaeda, o Hamas e o Daesh. (…) Se você age como terrorista, também deve ser tratado como terrorista”, disse Kallas.
Papel da Guarda Revolucionária no regime iraniano
A Guarda Revolucionária Islâmica é uma força militar paralela ao Exército regular do Irã e considerada a mais poderosa instituição armada do país. Criada após a Revolução Islâmica de 1979, ela atua como principal sustentáculo do governo liderado pelo aiatolá Ali Khamenei, exercendo influência direta sobre a política interna, a economia e as ações militares iranianas dentro e fora do país.
Ao ser incluída na lista europeia de organizações terroristas, a Guarda passa a ser tratada no mesmo nível de grupos como Al-Qaeda, Hamas e Daesh, o que pode resultar no congelamento de ativos, restrições de viagens e ampliação de sanções contra pessoas e entidades ligadas à corporação.
Repressão e mortes impulsionam decisão
O anúncio ocorre após uma onda de protestos no Irã que terminou com milhares de mortos, segundo organizações de direitos humanos e ativistas. As manifestações começaram em meio à crise econômica e ao alto custo de vida, mas rapidamente passaram a incorporar palavras de ordem contra o regime dos aiatolás, que governa o país há mais de quatro décadas.
A repressão do governo iraniano aos protestos gerou forte reação internacional e aumentou a pressão diplomática sobre Teerã. Paralelamente, os Estados Unidos intensificaram o tom contra o governo iraniano, o que levou a um novo patamar de tensão entre os dois países.
Escalada com os Estados Unidos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aproveitou o agravamento da crise para endurecer o discurso contra o Irã e voltou a ameaçar ataques militares. A retórica elevou o temor de um confronto direto no Oriente Médio, colocando a região novamente em alerta.
O governo iraniano, por sua vez, nega as acusações de repressão sistemática e afirma que as mortes de civis e agentes de segurança foram provocadas pelos próprios manifestantes. Teerã acusa Washington de infiltrar agentes estrangeiros para estimular a violência durante os protestos.





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