Ao apresentar pela primeira vez seu plano de governo, o pré-candidato do PSOL ao Palácio Guanabara, Willian Siri, direcionou críticas ao prefeito Eduardo Paes e afirmou que sua candidatura representa uma alternativa à esquerda ao modelo atual de gestão no Rio. A declaração foi feita em entrevista ao jornalista Ricardo Bruno, no programa Jogo do Poder.
Segurança pública como eixo central
Durante a entrevista, Siri classificou a política de segurança pública do estado como “falida há pelo menos 30 anos” e criticou o modelo baseado no confronto armado, que, segundo ele, não reduziu o poder das facções e contribuiu para o avanço das milícias.
O pré-candidato defende uma reestruturação completa da área, começando pela reorganização institucional. Entre as propostas, está a centralização das polícias sob uma Secretaria de Segurança Pública com comando direto do governador, com o objetivo de reduzir interferências políticas na gestão.
Siri também propõe valorização dos profissionais de segurança, com recomposição salarial, investimento em saúde mental — destacando os altos índices de suicídio entre policiais — e melhoria da estrutura das delegacias.
Outro ponto central é o investimento em inteligência para combater o financiamento do crime organizado e enfrentar a infiltração de agentes públicos em esquemas ilegais. “A gente quer investir fortemente em inteligência, para fora e para dentro”, afirmou.
Ele ainda defendeu uma mudança de abordagem nas comunidades, afirmando que é preciso “não olhar mais as favelas como território inimigo”, mas como áreas que demandam presença efetiva do Estado com políticas públicas.
Críticas ao modelo de Eduardo Paes
Ao explicar por que não apoia o prefeito Eduardo Paes, Siri apontou divergências estruturais de projeto político. Segundo ele, Paes representa um “projeto neoliberal da especulação imobiliária” e não promoveu reformas estruturais ao longo de seus mandatos.
O vereador citou como exemplo a política de transportes, criticando a adoção do BRT em vez de sistemas sobre trilhos, o que, em sua avaliação, contribuiu para os problemas atuais de mobilidade urbana.
Para Siri, manter uma candidatura própria do PSOL é essencial para oferecer uma alternativa programática à esquerda e dialogar com setores que não se identificam com o atual prefeito.
Combate à extrema-direita
O pré-candidato afirmou que sua principal prioridade política é enfrentar o avanço da extrema-direita no estado. Ele citou diretamente o deputado Douglas Ruas como um dos principais representantes desse campo e disse que sua candidatura busca construir um contraponto a esse grupo.
Avaliação dos adversários
Nos comentários finais da entrevista, Siri fez avaliações diretas sobre possíveis adversários na disputa pelo governo:
- Sobre Eduardo Paes, afirmou que é um político que “acena para diferentes campos” e representa interesses de grandes empresários.
- Sobre Douglas Ruas, disse que simboliza “a extrema-direita e o conservadorismo”.
- Em relação a Anthony Garotinho, classificou como expressão da “velha política”.
- Já sobre Wilson Witzel, afirmou que sua gestão trouxe “desastres” ao estado.
Ao longo da entrevista, Siri também defendeu um Estado mais presente em áreas como educação, saúde e transporte, sustentando que mudanças estruturais são necessárias para enfrentar a desigualdade e a violência no Rio de Janeiro.






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