O Conselho Universitário da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) decidiu revogar o título de “Doutor Honoris Causa” concedido ao ex-ditador português António de Oliveira Salazar (1889-1970), informa Ancelmo Gois, em O Globo. A medida ocorre duas semanas depois de a instituição retirar a mesma honraria do embaixador americano Lincoln Gordon (1913-2009), apontado como articulador em favor do golpe militar de 1964 no Brasil.
A decisão coloca Salazar no mesmo processo de revisão de homenagens concedidas pela universidade no passado a figuras ligadas a regimes autoritários. O português esteve à frente do governo de Portugal durante grande parte do período conhecido como Estado Novo, marcado pelo autoritarismo, censura e repressão política.
Regime português perseguiu opositores
Salazar foi uma das principais figuras do regime que se consolidou em Portugal a partir da década de 1930. O sistema político defendia valores nacionalistas, anticomunistas e conservadores, com ênfase na tradição, na família, na religião católica e na manutenção da ordem social.
Durante o período, o governo português também manteve guerras para preservar o domínio colonial sobre territórios africanos, entre eles Angola, Moçambique e Guiné-Bissau. Os conflitos contribuíram para o desgaste do regime e se estenderam até a Revolução dos Cravos, em 1974.
PIDE atuou na repressão política
A repressão aos adversários do governo foi uma das características do salazarismo. A Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE) atuava contra opositores e organizações consideradas ameaças ao regime, com perseguições, prisões e violência.
A retirada do título pela UFRJ ocorre em meio à revisão de homenagens históricas concedidas pela instituição. No caso de Lincoln Gordon, a universidade havia decidido revogar a honraria por sua atuação diplomática antes e durante o golpe militar brasileiro de 1964.







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