Depois de defender novos nomes para o Golfo do México e outros acidentes geográficos, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, agora voltou sua atenção para os oceanos. Durante um comício no Tennessee, no sábado (10), o republicano afirmou que gostaria de rebatizar o Atlântico ou o Pacífico, chegando a sugerir que um deles passasse a ser chamado de oceano Trump.
A declaração foi feita durante um evento de apoio a candidatos do Partido Republicano nas eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para novembro. Diante de apoiadores, Trump comentou mudanças de nomes geográficos promovidas ou defendidas por seu governo e indicou que gostaria de ampliar a iniciativa.
“Já temos o golfo e um lindo lago. Agora, alguém disse: você precisa de um rio”, afirmou o presidente, em referência ao Golfo do México, que passou a ser chamado oficialmente de Golfo da América pelo governo americano, e ao lago Ontário, na fronteira com o Canadá, que Trump também chamou de lago América.
O republicano brincou com a possibilidade de alterar o nome de um rio, mas descartou o Hudson, que atravessa Nova York e recebeu essa denominação em homenagem ao navegador inglês Henry Hudson.
“Não quero mudar o nome do Hudson, aí já é demais. Henry Hudson fez um ótimo trabalho navegando aquele negócio”, declarou, sob aplausos. Em seguida, o presidente ampliou a lista de possibilidades e mencionou os dois grandes oceanos que banham o território americano.
“Pensei no Atlântico ou no Pacífico. Podemos chamar de oceano Trump, ou oceano das Américas”, afirmou. Apesar das declarações, não foi apresentado um plano oficial para alterar a denominação dos oceanos. Uma iniciativa desse tipo envolveria questões diplomáticas e padrões internacionais de nomenclatura, já que Atlântico e Pacífico são compartilhados por diversos países.
Mudanças de nomes viraram marca do governo
Desde que retornou à Casa Branca, em janeiro de 2025, Trump tem defendido mudanças em nomes de lugares, monumentos e instituições americanas. Uma das iniciativas mais conhecidas foi a adoção de Golfo da América como denominação oficial utilizada pelo governo dos Estados Unidos para o Golfo do México.
A decisão, entretanto, não obriga outros países a abandonar a nomenclatura tradicional. O presidente também passou a utilizar o nome lago América para se referir ao lago Ontário, localizado na fronteira entre os Estados Unidos e o Canadá.
Mais recentemente, Trump sugeriu que o Estreito de Ormuz, passagem marítima estratégica para o transporte internacional de petróleo, recebesse o nome de Estreito de Trump. A proposta surgiu em meio às tensões militares entre Washington e Teerã, envolvendo o controle e a segurança da navegação na região.
As declarações refletem a disposição do presidente de associar sua administração a símbolos geográficos e políticos, embora mudanças de alcance internacional dependam de reconhecimento mais amplo.
Nome de Trump também aparece em obras e instituições
Além das referências geográficas, o nome do presidente passou a ser associado a instalações públicas e projetos de infraestrutura nos Estados Unidos. Em julho, o aeroporto de Palm Beach, no sudeste da Flórida, recebeu uma nova denominação em homenagem a Donald Trump.
O terminal fica próximo ao resort Mar-a-Lago, propriedade utilizada pelo presidente e sua família quando estão na região. A homenagem chamou atenção por ter sido concedida enquanto Trump ainda exercia a Presidência, diferentemente de outras instalações aeroportuárias americanas que receberam nomes de antigos chefes de Estado.
Também em julho, no Tennessee, foi inaugurada uma ponte batizada de Donald J. Trump, localizada na rodovia interestadual I-40. Durante a cerimônia, o secretário do Tesouro, Scott Bessent, destacou a homenagem ao presidente e fez referência à tradição de placas de identificação do estado.
“Agora, todos os que seguirem estes carros vão cruzar a ponte Donald J. Trump na I-40”, afirmou. Outras iniciativas para associar o nome do republicano a instituições públicas também provocaram disputas jurídicas.
Em Washington, uma tentativa de alteração da denominação do Kennedy Center, importante complexo cultural americano, enfrentou contestação judicial. Em junho, uma decisão determinou o restabelecimento do nome anterior, sob o entendimento de que uma mudança dependeria de autorização do Congresso.
Trump também manifestou interesse em ampliar sua presença simbólica em instituições federais e chegou a ser associado a propostas para colocar sua imagem em cédulas de dólar.
A possibilidade de rebatizar o Atlântico ou o Pacífico representa mais um capítulo dessa sequência de declarações. Por enquanto, porém, a ideia permanece no campo das sugestões públicas, sem anúncio de medidas concretas para modificar oficialmente o nome de qualquer um dos oceanos.







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