Trump já classificou 14 grupos criminosos da América Latina como terroristas antes de incluir PCC e CV

Facções brasileiras passam a integrar lista do governo dos Estados Unidos que reúne cartéis mexicanos, grupos venezuelanos e organizações criminosas da região

Antes de incluir o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) na lista de organizações terroristas estrangeiras, o governo de Donald Trump já havia adotado a mesma medida contra outros 14 grupos criminosos da América Latina.

A estratégia faz parte da política de endurecimento da Casa Branca contra o narcotráfico e o crime organizado transnacional desde o retorno de Trump ao poder. A maior parte das organizações classificadas atua no tráfico internacional de drogas, lavagem de dinheiro, armas e crimes violentos.

Entre os grupos já rotulados como terroristas pelos Estados Unidos estão cartéis mexicanos como o Cartel de Sinaloa, Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), Cartel del Golfo e La Nueva Familia Michoacana, além da facção venezuelana Tren de Aragua e da Mara Salvatrucha (MS-13), de El Salvador.

PCC e Comando Vermelho entram na lista americana

A inclusão das duas principais facções criminosas brasileiras foi anunciada nesta quinta-feira, 28, pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos e passa a valer oficialmente no próximo dia 5 de junho.

Segundo o secretário de Estado, Marco Rubio, o PCC e o Comando Vermelho possuem influência criminosa internacional e mantêm conexões ilícitas que ultrapassam as fronteiras brasileiras.

O governo americano afirma que as facções representam ameaça à segurança regional e também aos interesses dos Estados Unidos.

A decisão amplia a pressão diplomática sobre o governo brasileiro e ocorre em meio a divergências entre Washington e Brasília sobre estratégias de combate ao crime organizado.

A classificação ocorreu mesmo sem apoio formal do governo Luiz Inácio Lula da Silva e contou com apoio político do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), aliado de Donald Trump.

Classificação permite sanções e bloqueio de ativos

Ao serem incluídas na lista de organizações terroristas estrangeiras, PCC e CV passam a ser alvo de instrumentos mais rígidos de monitoramento e repressão financeira internacional.

Entre as medidas previstas estão:

  • Congelamento de ativos financeiros;
  • Aplicação de sanções econômicas;
  • Restrição de vistos;
  • Monitoramento internacional;
  • Compartilhamento de inteligência;
  • Criminalização de apoio financeiro ou logístico.

A legislação americana também permite ampliar investigações sobre movimentações financeiras ligadas ao narcotráfico e ao crime organizado transnacional.

Governo brasileiro teme impactos internacionais

Nos bastidores diplomáticos, integrantes do governo brasileiro avaliam que a medida pode provocar efeitos econômicos e financeiros indiretos.

O temor é que instituições financeiras brasileiras passem a enfrentar maior vigilância internacional por suspeitas relacionadas à circulação de recursos oriundos do crime organizado.

Outro ponto de preocupação envolve precedentes recentes envolvendo operações dos Estados Unidos contra grupos anteriormente classificados como terroristas, especialmente na Venezuela e no Caribe.

Nos últimos meses, forças americanas realizaram operações contra embarcações suspeitas de ligação com cartéis latino-americanos em ações voltadas ao combate ao narcotráfico.

Veja os grupos latino-americanos classificados como terroristas pelos EUA

  • Cartel de Sinaloa (México)
  • Cartel de Jalisco Nueva Generación – CJNG (México)
  • Cartel del Noreste (México)
  • La Nueva Familia Michoacana (México)
  • Cartel del Golfo (México)
  • Carteles Unidos (México)
  • Tren de Aragua (Venezuela)
  • Mara Salvatrucha – MS-13 (El Salvador)
  • Viv Ansanm (Haiti)
  • Gran Grif (Haiti)
  • Los Choneros (Equador)
  • Los Lobos (Equador)
  • Clan del Golfo (Colômbia)
  • Cartel de los Soles (Venezuela)
  • Primeiro Comando da Capital (PCC)
  • Comando Vermelho (CV)

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading