Trump aumenta recompensa por Maduro e o acusa de chefiar cartel de drogas

Governo estadunidense eleva para US$ 50 milhões o valor por informações que levem à prisão do presidente venezuelano, ampliando pressão diplomática e militar na América Latina

O governo de Donald Trump intensificou a ofensiva contra Nicolás Maduro ao elevar, nesta semana, a recompensa por informações que levem à prisão do presidente da Venezuela para US$ 50 milhões. Washington o classifica como chefe de um cartel de drogas e o responsabiliza por ligações diretas com o tráfico internacional.

A pressão dos Estados Unidos sobre Maduro não é nova. Desde as gestões de Barack Obama e Joe Biden, a legitimidade do governo chavista já era questionada. No atual mandato de Trump, porém, a ofensiva ganhou novos contornos, associando a disputa política ao combate a grupos criminosos na América Latina.

Parte da comunidade internacional, alinhada aos EUA, contesta a eleição que manteve Maduro no poder, sob alegações de fraude, mas a acusação carece de provas. Assim como fez no mandato anterior, Trump reconhece o opositor Edmundo González, candidato da extrema direita derrotado nas urnas, como vencedor do pleito.

Acusações e política antidrogas

O aumento da recompensa veio acompanhado de novas acusações. Para o governo estadunidense, Maduro lidera organizações criminosas envolvidas no tráfico internacional. Embora não tenha apresentado provas concretas, Washington sustenta que tais grupos mantêm conexões diretas com a entrada de drogas nos EUA.

A iniciativa ocorre em um momento de mudança na política antidrogas dos EUA. Logo no início de seu segundo mandato, Trump determinou a classificação de diversos grupos ligados ao narcotráfico como organizações terroristas. Essa designação permite ao país realizar operações militares no exterior contra tais alvos, com base na mesma doutrina utilizada nas ações contra o Estado Islâmico (ISIS) na Síria, na década de 2010.

Uma possível intervenção contra Maduro chegou a ser admitida pelo secretário de Estado, Marco Rubio. Em entrevista à rede EWTN, ele afirmou: “Não podemos continuar tratando esses caras como se fossem gangues locais. Eles têm armas como terroristas ou até mesmo exércitos. Controlam territórios em alguns casos”. Rubio acrescentou que a nova classificação “nos dá autoridade legal para atacá-los da maneira como conseguirmos”.

No mesmo dia, o jornal The New York Times revelou a existência de uma diretriz presidencial que autoriza o uso de forças militares dos EUA contra cartéis de drogas na América Latina classificados como terroristas. Em maio, o governo Trump anunciou que avalia incluir o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), facções brasileiras, nessa lista.

Reação de Caracas

O governo venezuelano reagiu imediatamente. Para o chanceler Yván Gil Pinto, a medida é uma “cortina de fumaça” criada por Trump para desviar a atenção de problemas internos, como as suspeitas de ligação do presidente estadunidense com o caso Jeffrey Epstein, ex-financista condenado por crimes sexuais.

O ministro da Defesa, Padrino López, também se pronunciou, afirmando que as Forças Armadas da Venezuela estão prontas para proteger Maduro contra qualquer ameaça.

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