A tensão entre os Estados Unidos e o governo de Nicolás Maduro voltou a se acirrar neste domingo (27), após uma publicação contundente da Embaixada dos EUA na Venezuela. Em mensagem divulgada no X (antigo Twitter), a missão diplomática declarou que o “regime criminoso” do presidente venezuelano “não durará para sempre” e que a Venezuela “voltará a ser democrática e livre”.
“Maduro e seu regime criminoso não durarão para sempre, e a terra de Bolívar voltará a ser democrática e livre”, escreveu a embaixada americana, dirigindo-se diretamente ao povo venezuelano.
A publicação reflete uma escalada na retórica do governo dos EUA contra Maduro, que voltou a ser alvo prioritário da política externa americana sob a nova gestão de Donald Trump. O chefe da diplomacia da atual administração, o senador Marco Rubio, também se manifestou nas redes, reafirmando a posição de que o atual presidente venezuelano “não é legítimo” e acusando-o de comandar uma organização criminosa.
Rubio acusa Maduro de chefiar cartel narcoterrorista
“Maduro NÃO é o presidente da Venezuela e seu regime NÃO é o governo legítimo. Ele é o chefe do cartel de Los Soles, uma organização narcoterrorista que tomou posse de um país, e ele está sendo indiciado por tráfico de drogas para os Estados Unidos”, publicou Rubio.
Na última sexta-feira (25), o Departamento do Tesouro dos EUA designou formalmente o cartel de Los Soles como uma organização terrorista internacional. Segundo autoridades americanas, o grupo seria composto por membros do alto escalão do governo venezuelano e teria conexões com outras facções criminosas transnacionais, incluindo o Tren de Aragua — gangue com atuação também nos Estados Unidos.
Além da ofensiva diplomática, Washington vem oferecendo, desde janeiro deste ano, uma recompensa de R$ 150 milhões por informações que levem à captura de Nicolás Maduro. O líder chavista é acusado de envolvimento direto com o tráfico de drogas e financiamento de ações narcoterroristas.
Acordo recentes sobre troca de prisioneiros
Apesar do endurecimento do discurso, os canais de negociação entre os dois países não foram completamente encerrados. Recentemente, foi firmado um acordo de troca de prisioneiros entre Caracas e Washington. Além disso, o presidente Trump autorizou que a gigante petrolífera Chevron retomasse suas atividades na Venezuela, sinalizando que interesses econômicos seguem em pauta.
Na última semana, representantes do governo norte-americano se reuniram com María Corina Machado, principal liderança da oposição venezuelana. O encontro teria tido como foco a articulação de uma “transição pacífica para a democracia”, conforme nota oficial divulgada por Washington.
Reeleição questionada por suspeita de fraudes
A legitimidade de Maduro é questionada por diversos países desde as eleições presidenciais de 2024, sob suspeitas de fraude. Assim como ocorreu em mandatos anteriores, os EUA — agora sob Trump — reconhecem o opositor Edmundo González como o vencedor legítimo do pleito.
O embate entre Caracas e Washington, historicamente marcado por acusações mútuas e sanções, ganha novo fôlego com o retorno de Trump ao poder e com a crescente atuação de grupos criminosos venezuelanos em nível internacional. A crise política no país vizinho continua sendo um dos principais desafios diplomáticos da América Latina.
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