O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi recebido com aplausos e gritos de apoio no Parlamento israelense nesta segunda-feira (13), em um momento de forte simbolismo para o país. A visita ocorreu no mesmo dia em que os últimos reféns sequestrados pelo Hamas foram libertados após 738 dias em cativeiro.
— No que me diz respeito, a guerra acabou — declarou Trump, ao chegar à Knesset por volta das 11h (5h no horário de Brasília), sob aplausos de parlamentares e convidados.
A declaração foi feita ao lado do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que, horas antes, havia adotado um tom mais cauteloso, afirmando que a continuidade dos combates ainda era uma possibilidade.
Divergência sobre o fim do conflito
O republicano viajou a Israel em uma agenda curta, que inclui discurso no Parlamento, um encontro com famílias de reféns e uma reunião no Egito com outros 20 líderes mundiais para discutir o processo de paz.
Antes mesmo de embarcar, na Base Aérea de Andrews, Trump já havia afirmado que “a guerra havia acabado”, antecipando o tom da viagem. A posição, no entanto, não é consenso entre os aliados israelenses. Em discurso no domingo, Netanyahu evitou confirmar o fim das operações militares e disse que o cessar-fogo depende da entrega total das armas pelo Hamas e da completa desmobilização do grupo.
— Onde quer que tenhamos lutado, vencemos — afirmou Netanyahu. — Mas tenho de dizer a vocês, ao mesmo tempo, que a campanha não terminou. Ainda temos importantes desafios de segurança à frente. Alguns de nossos inimigos estão tentando se reagupar e nos atacar de novo. E, como dizemos aqui, estamos de olho.
Encontro com Netanyahu e recepção em Israel
Trump foi recebido com honrarias de Estado no Aeroporto Internacional Ben Gurion, em Tel Aviv, pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e pelo presidente israelense Isaac Herzog. O trio permaneceu junto por cerca de 40 minutos no trajeto até Jerusalém, onde o presidente dos EUA discursou.
Os dois líderes seguiram na mesma limusine, o que, segundo fontes diplomáticas, abriu espaço para uma conversa reservada sobre os entraves do acordo de paz e as condições impostas por Israel para a reconstrução de Gaza.
Durante a cerimônia, a chegada do presidente dos EUA foi celebrada por multidões nas ruas. Na Praça dos Reféns, em Tel Aviv, onde famílias acompanhavam em telões a libertação dos prisioneiros, um coro de “obrigado, Trump” ecoou quando as imagens do Air Force One foram exibidas.
Símbolos de apoio e mensagem de “novo começo”
Na Knesset, bonés vermelhos com os dizeres “Trump, o presidente da paz” — em referência ao lema de sua campanha “Make America Great Again” — foram distribuídos a convidados e parlamentares.
Em mensagem deixada no livro de visitas do Parlamento, Trump escreveu: “esta é uma grande honra para mim – um grande e lindo dia. Um novo começo”.
Após o discurso em Jerusalém, Trump seguirá para o Egito, onde participará de uma cúpula internacional que discutirá a reconstrução de Gaza e os mecanismos para garantir a estabilidade na região após o acordo de cessar-fogo.






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