Sob forte emoção, Hamas conclui libertação dos 20 reféns vivos que estavam em Gaza; veja fotos

Grupo militante libertou os 20 reféns que sobreviveram a 738 dias de cativeiro em troca de dois mil palestinos detidos por Israel

O grupo militante palestino Hamas libertou 20 reféns israelenses que estavam em cativeiro na Faixa de Gaza, cumprindo parte do acordo de cessar-fogo firmado com o governo de Israel. A operação foi conduzida com a intermediação da Cruz Vermelha, que recebeu os reféns em dois grupos — o primeiro com sete pessoas e o segundo com treze — antes de transferi-los para bases militares israelenses, onde passam por avaliação médica.

Os nomes dos libertados foram divulgados pela emissora saudita Al-Hadath e pela imprensa hebraica: Elkana Bohbot, Matan Angrest, Avinatan Or, Yosef-Haim Ohana, Alon Ohel, Evyatar David, Guy Gilboa-Dalal, Rom Braslavski, Gali Berman, Ziv Berman, Eitan Mor, Segev Kalfon, Nimrod Cohen, Maxim Herkin, Eitan Horn, Matan Zangauker, Bar Kupershtein, David Cunio, Ariel Cunio e Omri Miran.

De acordo com informações do governo israelense, os reféns estão sendo recebidos em três pontos diferentes da Faixa de Gaza. Após o resgate, são encaminhados para áreas sob controle de Israel e depois levados à base militar de Re’im, no sul do país, onde se reencontrarão com suas famílias. O porta-voz israelense Shosh Bedrosian afirmou que “a libertação total dos reféns deve ocorrer até o meio-dia de hoje” — o que já ocorreu, pois o horário local de Gaza está seis horas à frente de Brasília.

Refém libertado — Foto: Divulgação/IDF
Refém libertado Alon Ohel com representantes das Forças de Defesa de Israel (IDF) — Foto: Divulgação/IDF
Refém libertado Guy Gilboa-Dalal com representantes das Forças de Defesa de Israel (IDF) — Foto: Divulgação/IDF
Refém libertado Eitan Mor com representantes das Forças de Defesa de Israel (IDF) — Foto: Divulgação/IDF
Refém libertado Matan Angrest com representantes das Forças de Defesa de Israel (IDF) — Foto: Divulgação/IDF

Liberação de prisioneiros palestinos

Em contrapartida à libertação dos reféns, o governo de Benjamin Netanyahu iniciou a soltura de prisioneiros palestinos mantidos em cárcere. Segundo o acordo mediado com o Hamas, cerca de dois mil detentos serão liberados após a confirmação da chegada dos israelenses libertados ao território controlado por Israel.

Cerca de 250 prisioneiros foram transferidos para as prisões de Ofer, na Cisjordânia ocupada, e Ketziot, no sul de Israel — ambas próximas à fronteira com o Egito. O serviço penitenciário israelense informou que a movimentação tem como objetivo facilitar a logística das trocas, que devem ser concluídas até o final do dia.

Intermédio da Cruz Vermelha e longa espera

Ao todo, 48 reféns estavam sendo mantidos em Gaza, segundo as autoridades israelenses. Desses, 20 foram confirmados vivos e 28 são dados como mortos. A Cruz Vermelha supervisiona as operações de troca e o translado dos libertados após 738 dias de cativeiro.

Impasse sobre o desarmamento do Hamas

Apesar do avanço no acordo de cessar-fogo, um dos principais entraves permanece sendo o desarmamento do Hamas. O grupo rejeitou qualquer possibilidade de entregar suas armas neste momento. Um de seus representantes afirmou à AFP que “a proposta de entregar as armas está fora de discussão e não é negociável”.

O plano costurado pelos Estados Unidos previa uma anistia a combatentes que depusessem os arsenais, mas o Hamas condiciona qualquer entrega ao reconhecimento de um Estado palestino soberano com Jerusalém como capital.

Benjamin Netanyahu, por sua vez, reiterou que o objetivo de Israel é eliminar completamente o Hamas, o que indica que o tema deve continuar em debate nas próximas fases do acordo. Questões relacionadas à reconstrução da Faixa de Gaza também devem entrar na pauta das futuras negociações.

Duas décadas de guerra e destruição

Desde o início da escalada do conflito, Gaza contabiliza mais de 67 mil mortos, a maioria mulheres e crianças, além de cerca de 170 mil feridos. Do lado israelense, as mortes somam aproximadamente 1.600 pessoas.

A ofensiva destruiu 90% das residências da Faixa de Gaza, forçando o deslocamento de quase dois milhões de pessoas. A região enfrenta colapso humanitário com escassez de alimentos, falta de medicamentos e bloqueio às ajudas internacionais. Hospitais, escolas e prédios públicos foram devastados pelos bombardeios.

A libertação dos reféns reacende esperanças de uma trégua mais duradoura, mas a reconstrução de Gaza e o futuro político da região continuam indefinidos.

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