TRE-RJ dá 7 dias para irmão de Marcinho VP responder à ação contra sua candidatura a deputado

Adversário questiona registro de Cristiano Santos Hermógenes com base em suposta ligação com o Comando Vermelho

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O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) deu prazo de sete dias para que o candidato a deputado estadual Cristiano Santos Hermógenes (Avante) apresente sua defesa no processo que pede a impugnação de seu registro de candidatura. A citação foi publicada nesta terça-feira (18).

A ação de impugmação foi proposta pelo também candidato a deputado estadual Gabriel Gonçalves (Republicanos). O objetivo é impedir o registro da candidatura de Cristiano Santos Hermógenes.

Segundo a petição, os questionamentos vão além do parentesco do candidato com integrantes do Comando Vermelho. Cristiano é irmão de Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, apontado pelas autoridades como uma das principais lideranças da facção criminosa Comando Vermelho, e tio do rapper Oruam. O autor da ação afirma, porém, que o pedido não se baseia apenas nesses laços familiares, mas em supostos fatos que indicariam uma atuação própria do candidato em benefício da influência da organização criminosa no processo eleitoral.

Entre os elementos apresentados estão notícias sobre uma prisão ocorrida em 2006 e investigações realizadas na época envolvendo suspeitas de associação ao tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. A ação não afirma que esses fatos tenham resultado em condenação definitiva, mas sustenta que fazem parte do conjunto de circunstâncias que deveriam ser analisadas pela Justiça Eleitoral.

O pedido também menciona a trajetória política de Cristiano Santos Hermógenes, que foi vereador de Belford Roxo entre 2016 e 2022 e disputou outras eleições. Outro ponto destacado é sua nomeação, em janeiro de 2026, para presidir o diretório municipal do PSDB em Belford Roxo, seguida do afastamento poucos dias depois, após repercussão pública envolvendo seu parentesco com Marcinho VP.

A ação ainda utiliza reportagens publicadas pela imprensa, entre elas uma matéria da revista Veja, segundo a qual Cristiano teria atuado como articulador para viabilizar a entrada de candidatos em comunidades dominadas pelo Comando Vermelho durante campanhas eleitorais. De acordo com o autor do processo, essa suposta atuação demonstraria uma ligação política com a facção que ultrapassaria o vínculo familiar.

Como fundamento, a petição cita um entendimento recente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), firmado em 2025, segundo o qual candidaturas podem ser rejeitadas quando houver demonstração de que organizações criminosas utilizam candidatos para exercer influência sobre o processo eleitoral. O autor sustenta que esse entendimento, inicialmente aplicado em casos envolvendo milícias, também deve ser adotado em situações relacionadas a facções criminosas, desde que existam elementos concretos que indiquem interferência nas eleições.

Além da impugnação, o candidato também foi citado para se manifestar sobre uma notícia de inelegibilidade apresentada no processo.

Na ação, Gabriel Gonçalves solicita que o TRE-RJ determine o envio de informações por diferentes órgãos públicos para complementar a análise do caso. Entre os pedidos estão registros da prisão e das investigações de 2006, informações do Ministério Público e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) sobre eventuais procedimentos envolvendo Cristiano, certidões de processos existentes em seu nome e documentos relacionados à sua atuação partidária, incluindo sua nomeação e posterior afastamento da presidência do diretório municipal do PSDB em Belford Roxo.

O Ministério Público Eleitoral (MPE) ainda não se manifestou no processo.

Cristiano Santos Hermógenes já enfrentou situação semelhante nas eleições de 2022. Na ocasião, ele concorreu pelo PL e também houve edido para barrar sua candidatura com base em alegações relacionadas ao seu parentesco e à suposta ligação com o Comando Vermelho. Naquele processo, a defesa apresentou documentos informando que a investigação criminal mencionada havia sido arquivada, e a candidatura acabou sendo autorizada pela Justiça Eleitoral.

Em 2022 ele obteve 16.800 votos, a maioria (6.259) em Belford Roxo.

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