O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) barrou, por unanimidade, nesta quinta-feira (10), a candidatura do ex-deputado estadual Vandro Lopes Gonçalves, conhecido como Vandro Família (PSDB), ao cargo de deputado estadual nas eleições de 2026. A decisão acompanhou o voto do relator, desembargador Guilherme Calmon, que acolheu o parecer do Ministério Público Eleitoral (MPE) favorável ao indeferimento do registro com base em uma notícia de inelegibilidade apresentada à Justiça Eleitoral.
De acordo com o MPE, o candidato é alvo de investigações que apontam um suposto envolvimento com milícias na Baixada Fluminense. Para o órgão, o histórico apresentado nos autos demonstra elementos que, em tese, impedem a candidatura, diante do entendimento consolidado da Justiça Eleitoral de que pessoas ligadas a organizações criminosas não podem disputar cargos públicos.
Na manifestação encaminhada ao TRE-RJ, o procurador regional eleitoral Flávio Paixão de Moura Júnior sustentou que a presença de organizações criminosas no processo eleitoral compromete a liberdade do voto e a igualdade entre os candidatos. Segundo o parecer, em áreas sob domínio de milícias ou facções criminosas, adversários podem ser impedidos de fazer campanha, enquanto eleitores ficam sujeitos à intimidação, prejudicando a livre escolha nas urnas.
O parecer também destacou que a Justiça Eleitoral deve agir para impedir a infiltração do crime organizado na política. O Ministério Público argumenta que o controle territorial exercido por grupos criminosos reduz a competitividade eleitoral e ameaça a legitimidade do processo democrático.
Entre os fatos citados pelo MPE está a Operação Roma, deflagrada em 2012, quando Vandro Família, então sargento da Polícia Militar, foi preso durante uma ação conjunta da Polícia Civil e do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro. As investigações da época apontaram que ele seria um dos líderes de uma organização miliciana que atuava no distrito de Fragoso, em Magé. O candidato também foi investigado na Operação P9, em 2019, por suspeita de participação no assassinato do adversário político Paulo Henrique Dourado Teixeira, conhecido como “Paulinho P9”. As investigações apontaram a hipótese de que o crime teria relação com disputas políticas no município. Não há informação de condenação definitiva contra o candidato relacionada a esses fatos.
Durante a análise do registro, o TRE-RJ considerou os elementos apresentados pelo Ministério Público Eleitoral para concluir que havia fundamento jurídico para impedir a candidatura.
A defesa de Vandro Família contestou as acusações e afirmou que elas não correspondem à realidade. Os advogados sustentam que o candidato é policial militar operacional, possui serviços prestados à corporação e nega qualquer envolvimento com organizações criminosas.
O caso ainda cabe recurso ao Tribunal Superio Eleitoral (TSE).







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