O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) adiou, nesta sexta-feira (11), a decisão sobre o registro de candidatura de Antônio Rueda, presidente nacional do União Brasil, que quer disputar uma vaga de deputado federal. O julgamento, que estava na pauta da sessão, foi interrompido após o desembargador Fábio Ribeiro Porto pedir a realização de diligências para apurar denúncias apresentadas contra o candidato.
A decisão de abrir prazo para as diligências foi tomada por maioria. O presidente do Tribunal, Claudio de Mello Tavares, estabeleceu o período de 48 horas para a obtenção de informações, em um julgamento marcado por um debate prolongado entre os integrantes da Corte Eleitoral.
A candidatura de Rueda foi questionada por dois dos principais nomes do Republicanos no Rio de Janeiro: Anthony Garotinho, candidato ao governo do estado e que teve o próprio registro impugnado pelo TRE-RJ, e Waguinho, que concorre ao Senado. Os dois apresentaram ações autônomas para tentar impedir o registro do dirigente nacional do União Brasil.
As ações citam um dispositivo da Constituição Federal que proíbe o uso ou a interferência de organizações criminosas, grupos paramilitares e milícias no processo eleitoral.
Garotinho questiona transferência de domicílio eleitoral
A ação de Anthony Garotinho concentra parte dos argumentos na transferência do domicílio eleitoral de Antônio Rueda para o Rio de Janeiro. O candidato do Republicanos pede que a Justiça Eleitoral requisite os documentos apresentados para comprovar o vínculo do dirigente partidário com o município escolhido.
A intenção é verificar se foram cumpridos os requisitos necessários para que Rueda possa concorrer pelo estado. Caso sejam encontradas irregularidades capazes de comprometer a validade do domicílio eleitoral, Garotinho pede que o registro seja indeferido.
A segunda frente da ação envolve relações políticas atribuídas a Rueda e ao ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União), que também concorre a deputado estadual.
Ações mencionam condenado por milícia
Entre os nomes citados nas impugnações está Eduardo Araújo, condenado por constituição de milícia privada e cujo registro de candidatura também foi indeferido pela Justiça Eleitoral.
As ações pedem que seja investigada a possibilidade de interferência direta ou indireta de estruturas criminosas em benefício da candidatura de Rueda.
Relatos sobre Banco Master
O caso ocorre em meio a notícias recentes sobre uma suposta proposta de delação premiada apresentada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Vorcaro teria relatado que Antônio Rueda e ACM Neto receberam comissões equivalentes a 10% de valores captados pelo Banco Master junto a institutos estaduais de previdência.
Ainda de acordo com as notícias, Rueda teria atuado para facilitar a entrada do banco no Rioprevidência, instituto de previdência do Rio, além de articulações semelhantes no Amapá, no Amazonas e na Cedae, companhia de saneamento fluminense. As movimentações teriam contribuído para captações de aproximadamente R$ 2 bilhões.
O caso envolvendo o Rio de Janeiro é apontado como o que mais avançou nas investigações. O ex-presidente do Rioprevidência Deivis Marcon Antunes foi preso pela Polícia Federal em fevereiro, suspeito de favorecer o Banco Master enquanto comandava o órgão. Segundo as informações divulgadas, ele teria sido indicado ao cargo por Rueda em articulação com o governador Cláudio Castro (PL).
O Rioprevidência aplicou recursos no banco e registrou perdas após a instituição financeira ser liquidada pelo Banco Central.







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