A prisão do ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques abriu uma nova etapa na execução das penas impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) aos condenados por participação na tentativa de golpe de Estado investigada pela Corte. Parte dos réus ligados ao núcleo central da articulação já cumpre pena, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro e ex-ministros de seu governo.
A Polícia Federal cumpriu neste sábado dez mandados de prisão domiciliar, com tornozeleira eletrônica, determinados pelo STF. Entre os alvos está o ex-assessor da Presidência Filipe Martins. As ações ocorrem no Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Paraná, Goiás, Bahia, Tocantins e Distrito Federal, com apoio do Exército em parte das diligências.
Além da prisão domiciliar, as medidas cautelares incluem restrições ao uso de redes sociais, proibição de contato com outros investigados, entrega de passaportes, suspensão de porte de arma e restrições de visitas. Até as 9h30, haviam sido cumpridos os mandados contra Giancarlo Gomes Rodrigues (BA), Marilia Ferreira de Alencar (DF), Angelo Martins Denicoli (ES), Fabricio Moreira de Bastos (TO), Sergio Ricardo Cavaliere (RJ), Bernardo Romão Correa Netto (DF) e Ailton Gonçalves Moraes Barros (RJ).
Ao todo, 29 pessoas foram condenadas, das quais seis estão presas. Entre os que não estão encarcerados, há situações distintas: o ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) está nos Estados Unidos após deixar o país pela fronteira da Guiana; já o ex-tenente-coronel Mauro Cid cumpre pena em regime aberto. Nos demais casos, o prazo para recursos segue aberto, e a previsão é de início de cumprimento das penas em 2026.
Silvinei integra o núcleo cujo julgamento foi concluído em 16 de dezembro. Após tentativa de fuga, deve permanecer em prisão preventiva até a publicação do acórdão referente à condenação a 24 anos e seis meses de prisão. Segundo o ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos, a violação das medidas cautelares justificou a adoção da prisão preventiva.
O monitoramento de investigados em prisão domiciliar inclui relatórios diários enviados ao STF, registrando eventuais violações das áreas de circulação autorizadas. A saída de Silvinei de seu endereço, identificada por alerta emitido pela tornozeleira eletrônica, desencadeou buscas da PF e comunicados às autoridades de fronteira. A corporação afirma estar reforçando o acompanhamento dos condenados que aguardam a execução definitiva das penas.
Além do caso, o STF também acompanha episódios de fuga envolvendo investigados em outras ações, como a ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP), detida na Itália após a condenação no caso de invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).






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