Trabalhadores dos Correios fazem greve nacional a partir desta sexta

Paralisação foi aprovada após negociações salariais terminarem sem acordo; plano de saúde está entre os principais pontos de conflito entre funcionários e empresa

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Trabalhadores dos Correios decidiram entrar em greve por tempo indeterminado após assembleias realizadas na noite desta quinta-feira (10). Segundo a Federação Interestadual dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (Findect), sindicatos de diferentes regiões do país aprovaram a paralisação, ampliando a pressão sobre a estatal em meio às negociações da campanha salarial.

A mobilização ocorre em um momento particularmente delicado para os Correios. A empresa atravessa uma prolongada crise financeira, acumula 15 trimestres consecutivos de resultados negativos e registrou prejuízo de R$ 5,6 bilhões apenas no primeiro semestre deste ano.

Segundo a Findect, a decisão “marca uma nova etapa da Campanha Salarial, após as negociações terminarem sem acordo”.

Entre os principais pontos de impasse está o plano de saúde dos empregados. A entidade afirma que a direção da estatal pretende promover mudanças no benefício, tema considerado prioritário pelos trabalhadores.

Negociações terminaram sem acordo

A federação afirma que a paralisação foi aprovada somente depois de sucessivas tentativas de entendimento, inclusive com mediação do Tribunal Superior do Trabalho (TST).

“A decisão das assembleias ocorre depois de sucessivas rodadas de negociação e tentativas de mediação no Tribunal Superior do Trabalho (TST). A categoria buscou uma solução negociada, mas a empresa manteve sua posição em um tema considerado fundamental pelos trabalhadores”, diz a federação.

Ainda não há um balanço nacional detalhado sobre o impacto da greve nos serviços prestados à população, como entrega de cartas e encomendas e atendimento nas agências.

Na Paraíba, o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Correios e Telégrafos da Paraíba (Sintect-PB), Tony Sérgio, informou que apenas os serviços administrativos internos permanecem funcionando durante a paralisação.

A situação, no entanto, pode variar de acordo com cada região. Até o momento, não foram divulgadas informações consolidadas sobre o funcionamento das unidades em todos os estados.

Greve ocorre em meio à crise financeira

A paralisação acrescenta uma nova frente de pressão sobre os Correios. A estatal está há 15 trimestres consecutivos no vermelho e fechou o primeiro semestre de 2026 com prejuízo de R$ 5,6 bilhões.

Apesar da dimensão das perdas, o resultado do segundo trimestre apresentou melhora em comparação com os dois períodos imediatamente anteriores, o primeiro trimestre de 2026 e o quarto trimestre de 2025. O começo deste ano havia sido marcado por prejuízo recorde.

Paralelamente à greve, a estatal busca reforçar seu caixa. Os Correios esperam obter até 15 de setembro um novo empréstimo de R$ 7 bilhões, operação já mencionada nas demonstrações financeiras referentes ao primeiro semestre.

A expectativa é de que os recursos sejam fornecidos por um consórcio de instituições financeiras. Entre os bancos previstos estão Citibank, J.P. Morgan, Deutsche Bank e Banrisul.

No fim do ano passado, os Correios já haviam recebido R$ 12 bilhões por meio de outra operação de crédito.

Paralisação alcança sindicatos de todo o país

A relação divulgada pela Findect aponta adesão à greve dos seguintes sindicatos:

  • SINTECT-AL (Alagoas) — greve
  • SINTECT-AM (Amazonas) — greve
  • SINTECT-AP (Amapá) — greve
  • SINTECT-BA (Bahia) — greve
  • SINTECT-CAS — greve
  • SINTECT-CE (Ceará) — greve
  • SINTECT-DF (Distrito Federal) — greve
  • SINTECT-ES (Espírito Santo) — greve
  • SINTECT-GO (Goiás) — greve
  • SINTECT-JFA — greve
  • SINTECT-MG (Minas Gerais) — greve
  • SINTECT-MT (Mato Grosso) — greve
  • SINTECT-RO (Rondônia) — greve
  • SINCORT-PA (Pará) — greve
  • SINTECT-PB (Paraíba) — greve
  • SINTECT-PE (Pernambuco) — greve
  • SINTECT-PI (Piauí) — greve
  • SINTCOM-PR (Paraná) — greve
  • SINTECT-RN (Rio Grande do Norte) — greve
  • SINTECT-RR (Roraima) — greve
  • SINTECT-RPO — greve
  • SINTECT-RS (Rio Grande do Sul) — greve
  • SINTECT-SC (Santa Catarina) — greve
  • SINTECT-SE (Sergipe) — greve
  • SINTECT-SJO — greve
  • SINTECT-SMA — greve
  • SINTECT-TO (Tocantins) — greve
  • SINTECT-URA — greve
  • SINTECT-VP — greve
  • SINDECTEB (Bauru e região) — greve
  • SINTECT-MA (Maranhão) — greve
  • SINTECT-MS (Mato Grosso do Sul) — greve
  • SINTECT-RJ (Rio de Janeiro) — greve
  • SINTECT-Santos (Santos e região) — greve
  • SINTECT-SP (São Paulo) — greve

No Acre, a assembleia estava prevista para esta sexta-feira (11), segundo a relação divulgada pela entidade.

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