Operação resgata 479 trabalhadores em condições análogas à escravidão no país

Ação alcançou 18 estados e o Distrito Federal e encontrou 13 crianças e adolescentes e 66 migrantes entre as vítimas; Minas Gerais concentrou 208 resgates

Adicione o Agenda do Poder como fonte preferencial no Google

Uma operação de combate ao trabalho análogo à escravidão resgatou 479 trabalhadores em 18 estados e no Distrito Federal durante o mês de agosto. Minas Gerais concentrou o maior número de vítimas encontradas pela fiscalização, com 208 pessoas retiradas dessas condições.

Segundo informa o portal Metrópoles, a força-tarefa identificou situações de exploração tanto no meio rural quanto em outras atividades econômicas. Entre os resgatados estavam 13 crianças e adolescentes e 66 migrantes vindos de Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Venezuela, Burkina Faso, Senegal e Guiné-Bissau.

O trabalho análogo à escravidão pode ser caracterizado por situações como trabalho forçado, jornadas exaustivas, condições degradantes ou restrições à liberdade de locomoção do trabalhador.

Doméstica vivia na mesma casa desde os 10 anos

Um dos casos identificados durante a operação envolve uma trabalhadora doméstica de 51 anos. Segundo as informações da fiscalização, ela vivia na residência desde os 10 anos de idade e era responsável pelos afazeres domésticos.

Ao longo desse período, a trabalhadora nunca teve o vínculo formalizado e também não recebia salário regularmente.

O caso chama atenção para uma modalidade de exploração que pode permanecer durante décadas dentro de residências, distante da fiscalização e sem que a vítima tenha acesso aos direitos trabalhistas básicos.

A força-tarefa contou com a participação do Ministério Público do Trabalho (MPT), Ministério Público Federal (MPF), Defensoria Pública da União (DPU) e Polícia Federal (PF).

Maioria dos resgates ocorreu no meio rural

Embora a operação tenha encontrado trabalhadores em diferentes atividades, a maior parte dos resgates ocorreu em áreas rurais.

A construção em geral apareceu como a atividade com maior número de trabalhadores retirados de condições análogas à escravidão, com 85 resgatados.

Na sequência aparecem o cultivo de café, com 53 trabalhadores; o cultivo de cebola, com 47; e o cultivo de batata-inglesa, com 44 pessoas resgatadas.

A presença de trabalhadores estrangeiros também ganhou destaque na operação. Dos 479 resgatados, 66 eram migrantes provenientes de oito países da América do Sul e da África.

Empregadores terão de pagar mais de R$ 1,4 milhão

Após a identificação das irregularidades, os empregadores foram notificados a interromper as atividades nas condições encontradas e a rescindir os contratos dos trabalhadores. Também foi determinada a formalização retroativa dos vínculos trabalhistas.

Os valores devidos em verbas trabalhistas e rescisórias ultrapassam R$ 1,4 milhão.

Além do pagamento das verbas devidas, os trabalhadores retirados das situações de exploração passaram a ter direito ao seguro-desemprego especial destinado a pessoas resgatadas de condições análogas à escravidão. O benefício corresponde a seis parcelas de um salário mínimo cada.

Denúncias sobre situações de trabalho análogo à escravidão podem ser encaminhadas remotamente e de maneira sigilosa por meio do Sistema Ipê, plataforma destinada ao recebimento desse tipo de informação.

Relacionadas

Deixe um comentário

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo