Trabalhadores da Caixa e do BB entram em greve por tempo indeterminado a partir desta quinta-feira

Na Caixa, a greve é nacional; no Banco do Brasil, paralisação é parcial e atinge as bases sindicais que rejeitaram o novo acordo da categoria

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Trabalhadores da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil iniciam nesta quinta-feira (10) uma greve por tempo indeterminado, informa o portal g1. Na Caixa, a paralisação tem abrangência nacional e foi decidida após a rejeição da proposta de renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). No BB, o movimento ocorre nas bases sindicais que não aprovaram o novo acordo da categoria.

No Banco do Brasil, a paralisação é parcial e não alcança todas as regiões. A nova Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) foi aceita por parte dos sindicatos, mas rejeitada por outras 60 entidades. Entre as bases contrárias ao acordo estão Brasília, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Pernambuco e Florianópolis.

A CCT da categoria bancária foi assinada nesta quarta-feira (9), em São Paulo, pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) e representantes dos trabalhadores. O acordo estabelece reposição integral da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), além de ganho real de 0,6% nos próximos dois anos.

Caixa rejeita proposta específica do banco

Na Caixa, os trabalhadores rejeitaram a proposta de renovação do Acordo Coletivo de Trabalho apresentada pela instituição e decidiram iniciar a greve sem prazo definido para terminar.

Na base do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, a paralisação havia sido aprovada em assembleia encerrada em 4 de agosto. Segundo a entidade, o movimento na Caixa tem abrangência nacional.

Na terça-feira (8), a Caixa encaminhou ofício à Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), convocando a entidade para uma nova reunião de negociação na quarta-feira (9).

A Contraf-CUT representa os empregados da Caixa nas negociações específicas relacionadas ao banco. Essas discussões são diferentes da CCT assinada com a Fenaban, que estabelece as condições gerais válidas para a categoria bancária.

Convenção prevê reajuste e novas regras trabalhistas

Além dos salários, a reposição da inflação e o aumento real previstos na nova convenção serão aplicados a benefícios e outras verbas, como vale-alimentação, vale-refeição, Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e auxílios.

O texto também estabelece medidas relacionadas à saúde mental e ao combate ao assédio no ambiente de trabalho. Entre as mudanças estão regras sobre o direito à desconexão fora do expediente e limites e maior transparência no monitoramento digital dos funcionários.

A convenção prevê ainda a criação de um programa de qualificação e recolocação profissional e mudanças na indenização destinada a trabalhadores de bancos privados demitidos em decorrência do fechamento de agências.

Segundo o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, foram realizadas 13 rodadas de negociação ao longo de mais de dois meses até a assinatura do documento.

A presidenta do sindicato e uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários, Neiva Ribeiro, avaliou o resultado das negociações:

“Foram 13 rodadas de negociação e mais de dois meses de mobilização e diálogo com o setor mais lucrativo do país. A assinatura da Convenção Coletiva de Trabalho representa uma importante conquista da categoria bancária. Garantimos aumento real por dois anos e a manutenção de todas as cláusulas da nossa CCT”.

A dirigente apontou ainda a aplicação da NR-1, o combate às metas abusivas e a busca por ambientes de trabalho mais saudáveis como temas que deverão continuar nas negociações da categoria.

BB mantém canais digitais durante paralisação

O Banco do Brasil informou que participa da mesa única de negociação da Fenaban, na qual são discutidos assuntos gerais da categoria, inclusive o índice de reajuste salarial. A instituição também mantém uma mesa própria com representantes sindicais para tratar de temas específicos de seus funcionários.

Segundo o banco, diferentes rodadas de negociação foram realizadas para a data-base de 2026, culminando em uma proposta aprovada por trabalhadores em assembleias de diferentes regiões do país.

O BB informou ainda que, durante a paralisação, os clientes podem utilizar o aplicativo, o Internet Banking, os correspondentes bancários e a Central de Relacionamento, pelos telefones 4004-0001 (capitais e regiões metropolitanas) e 0800 729 0001 (demais localidades), além do WhatsApp, pelo número (61) 4001-0001.

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