Toffoli fez viagens em aviões de empresários após vender resort no Paraná, indicam documentos

Registros apontam deslocamentos do ministro do STF em aeronaves privadas ligadas a empresários com relação ao empreendimento Tayayá

Documentos oficiais apontam que o ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, realizou ao menos três viagens em 2025 em aviões de empresários, após vender sua participação no resort Tayayá, localizado no interior do Paraná. Os deslocamentos partiram de Brasília com destino à região onde fica o empreendimento.

Os registros foram identificados a partir do cruzamento de dados de acesso ao terminal de aviação executiva da capital federal com informações sobre deslocamentos de equipes de apoio vinculadas ao Judiciário.

Viagens após venda do resort

De acordo com os documentos, uma das viagens ocorreu em 27 de fevereiro, quando o ministro acessou o terminal às 9h40. Pouco depois, uma aeronave ligada ao empresário Luiz Osvaldo Pastore decolou com destino a Ourinhos, cidade próxima a Ribeirão Claro, onde está localizado o resort.

Na véspera, servidores do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região foram enviados à região para prestar apoio logístico e de segurança a uma autoridade do STF.

Outra viagem foi registrada em 17 de junho, quando o acesso de Toffoli ao aeroporto ocorreu minutos antes da decolagem de um avião pertencente ao empresário Paulo Humberto Barbosa, também com destino a Ourinhos. Nesse período, equipes de apoio foram mobilizadas para atuação na mesma região.

Participação de empresas e empresários

Há ainda registros de voos realizados por aeronaves ligadas à empresa Prime Aviation, que teve participação do empresário Daniel Vorcaro, associado ao Banco Master. Um desses deslocamentos ocorreu em julho, com destino a Marília, cidade natal do ministro, embora haja indicação de apoio logístico também em Ribeirão Claro.

Outro voo da mesma empresa foi registrado em março, igualmente após a entrada do ministro no terminal de Brasília.

Os dados apontam, ao todo, 13 registros de acesso de Toffoli ao terminal de aviação executiva ao longo de 2025, com variações na grafia de seu nome e nos documentos apresentados.

Relação com o empreendimento

Toffoli havia se tornado sócio do resort Tayayá em 2021 por meio de uma empresa familiar. A participação foi vendida em fevereiro de 2025 ao empresário Paulo Humberto Barbosa, em operação cujos valores não foram divulgados.

Antes disso, parte do empreendimento havia sido negociada com um fundo de investimentos ligado a Daniel Vorcaro. Posteriormente, a participação no resort foi transferida entre diferentes investidores, incluindo Alberto de Faria Jerônimo Leite, que afirmou ter se desfeito do ativo meses depois por valor superior ao pago inicialmente.

Barbosa também recebeu aporte financeiro significativo de um grupo empresarial no período próximo à aquisição, segundo registros disponíveis.

Outros ministros citados

Os documentos também indicam que outros ministros do Supremo teriam utilizado aeronaves operadas por empresas relacionadas ao mesmo grupo empresarial.

O ministro Alexandre de Moraes aparece em registros de voos realizados entre maio e outubro de 2025. Em um dos casos, há informações sobre deslocamento de Brasília para São Paulo, embora um dos pilotos tenha declarado que o magistrado não estava a bordo de determinada aeronave citada nos registros.

Já o ministro Kassio Nunes Marques confirmou viagem em avião particular para Maceió, ao lado da esposa, a convite de uma advogada. Em nota, ele afirmou: “No dia 14/11/25, o ministro Nunes Marques e a esposa viajaram para festa de aniversário de Camilla, casada com o desembargador Newton Ramos, que foi colega do ministro no TRF-1. Camilla convidou o ministro e outros casais de amigos e ficou responsável pelo voo e detalhes da viagem”.

Posicionamentos e investigações

Procurado por meio de sua assessoria e interlocutores, Dias Toffoli não se manifestou sobre os registros. Outros empresários citados também não responderam ou não foram localizados.

Parte das informações integra investigações que envolvem relações empresariais e operações financeiras associadas ao Banco Master. A participação de Daniel Vorcaro em empresas de aviação foi posteriormente transferida a um fundo de investimentos ligado ao mesmo grupo, conforme apurações.

As informações seguem sendo analisadas no contexto de investigações em andamento, enquanto os registros levantam questionamentos sobre o uso de aeronaves privadas por autoridades públicas.

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