Vitor Hugo Simonin, o terceiro foragido por estupro coletivo contra uma adolescente de 17 anos em Copacabana, Zona Sul do Rio, se entregou à Polícia Civil nesta quarta-feira (4) acompanhado do seu advogado.
Simonin se apresentou à 12ª DP (Copacabana), que investiga o caso. O investigado é filho do advogado José Carlos Costa Simonin, que era subsecretário estadual de Governança, Compliance e Gestão Administrativa, mas acabou sendo exonerado após a repercussão do caso.
O suspeito responde ainda a processos disciplinares por agressões físicas e por indisciplina no Colégio Pedro II, uma das instituições de ensino mais tradicionais do país.
O que diz a defesa?
Em frente à 12ª DP (Copacabana), o advogado Ângelo Máximo declarou que o cliente nega envolvimento no crime. Segundo ele, apesar de admitir que esteve no apartamento onde o caso teria ocorrido, Vitor sustenta que não participou do ato.
“O fato dele estar junto não quer dizer que praticou. Vitor nega qualquer fato de cometimento do crime. Ele fala que não participou do fato. O Vitor não tem como negar que esteve no apartamento, mas o crime ele nega. A defesa vê, por enquanto, uma acusação precipitada”, declarou Máximo.
“Não foi até agora dado o direito de defesa ao Vitor. Ele tinha a oportunidade de se manifestar antes do decreto da prisão preventiva, mas a autoridade policial não optou em dar esse direito de defesa. Por isso, o Vitor está sendo execrado, julgado monocraticamente, sem o direito da ampla defesa e sem ter ao seu favor a presunção de inocência”, continuou o advogado, que completou: “Falo isto aos senhores na condição de pai que sou. Tenho um casal de filhos. Me ponho do lado da suposta vítima quanto do lado do meu assistido. Ela pode ter sido vítima desse brutal fato, como ele pode ser inocente, como eu acredito que é”.
Outros presos
Antes dele, outros dois suspeitos já haviam se apresentado às autoridades nesta terça. Matheus Zoel Martins foi o primeiro deles. Em seguida, João Gabriel Bertho se entregou na delegacia. Jogador de futebol do Serrano, ele foi afastado do elenco do clube após a repercussão do caso. Eles foram transferidos para o Presídio José Frederico Marques, em Benfica.
Pouco depois da chegada de Vitor na distrital, Bruno Felipe dos Santos Allegretti, de 18 anos, o último foragido, se entregou na 54ª DP (Belford Roxo). Aluno da Universidade Federal do Rio (Unirio), ele foi suspenso por 120 dias pela instituição de ensino devido à investigação do caso.
A 1ª Vara Especializada de Crimes contra a Criança e o Adolescente aceitou a denúncia do MP, que citou “a violência empregada e a brutalidade dos atos sexuais praticados contra a vítima” com base em relatório da Polícia Civil.
Um adolescente também é investigado, mas ainda não há informações sobre mandado de apreensão contra ele. Como ele tem idade abaixo de 18 anos, a Polícia Civil desmembrou o inquérito e enviou uma representação ao MP pedindo pela apreensão por fato análogo ao crime. O caso é analisado pela Vara da Infância e da Juventude.
A Justiça negou concessão de habeas corpus (HC) solicitado pela defesa de três dos foragidos.
Outras denúncias e repercussão na Câmara do Rio
Outras duas adolescentes acompanhadas por seus responsáveis legais procuraram a Polícia Civil nesta semana. Elas relataram também terem sido vítimas de estupro e envolveram jovens do grupo já investigado, ampliando as investigações.
Nesta segunda-feira, a mãe de uma adolescente de 14 anos procurou a 12ª DP (Copacabana) para registrar ocorrência de abuso ocorrido em 2023. Segundo relato, a jovem foi violentada por um grupo de adolescentes com agressões físicas e verbais.
Um dos casos já havia sido registrado anteriormente, envolvendo três homens, dois deles identificados como parte do grupo investigado em Copacabana. O delegado Angelo Lages, titular da 12ª DP, destacou que as apurações ainda estão em fase inicial e que é necessário reunir provas para confirmar a participação de cada suspeito.
O caso do estupro coletivo repercutiu entre os parlamentares da Câmara do Rio na sessão plenária desta terça-feira (3). Quem puxou o tema foi Maíra do MST (PT), primeira a ir ao microfone e cobrar que o assunto precisa ser tratado como pauta prioritária da Casa.
“Este é um tema que afeta todas as mulheres e meninas e que atinge a todos nós aqui do plenário. Todos temos filhas, sobrinhas, netas, e a gente precisa olhar para nossas infâncias e defendê-las. Justamente por isso a gente se pergunta: até quando corpos de meninas e mulheres serão objetos de disputa? Até quando nossos corpos serão subjugados e assolados pela violência sexual e simbólica?”, sublinhou Maíra.
O que se sabe sobre o caso
Câmeras de segurança do prédio registraram a entrada e a saída dos autores do crime e da vítima entre 19h24 e 20h42. As imagens foram anexadas ao inquérito.
Em depoimento, a adolescente relatou ter sido submetida a violência sexual, coação e agressões físicas dentro do apartamento, localizado no sexto andar. Segundo o documento policial, ela afirmou ter recebido tapas, chutes e socos durante o período em que permaneceu no imóvel.
De acordo com o relatório, o adolescente enviou uma mensagem via WhatsApp à jovem por volta das 18h, convidando-a para ir ao apartamento. Ele mencionou que outros dois amigos também estariam no local e sugeriu que ela levasse uma amiga. A vítima respondeu que não tinha companhia e decidiu ir sozinha.
Os dois se encontraram na portaria do prédio. No elevador, segundo o depoimento, o rapaz teria insinuado que fariam “algo diferente”, o que causou desconforto na adolescente. Ao chegarem ao apartamento, outros três jovens já estavam presentes. A presença de todos os indiciados no imóvel foi confirmada nas investigações.






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