O último foragido no caso do estupro coletivo contra uma adolescente de 17 anos, em Copacabana, na Zona Sul do Rio, se entregou à Polícia Civil na tarde desta quarta-feira (4). Com isso, os quatro acusados maiores de idade estão presos.
Bruno Felipe dos Santos Allegretti, de 18 anos, se apresentou na 54ª DP (Belford Roxo). Ele, que é aluno da Universidade Federal do Rio (Unirio), chegou a ser suspenso por 120 dias pela instituição de ensino devido à investigação do caso.
Mais cedo, no fim da manhã, Vitor Hugo Oliveira Simonin, também de 18 anos, havia se entregado na 12ª DP (Copacabana), acompanhado de sua defesa. Vitor é filho do advogado José Carlos Costa Simonin, que ocupava o cargo de subsecretário estadual de Governança e foi exonerado após a repercussão do crime. Ele também é alvo de processos disciplinares por agressões físicas e por indisciplina no Colégio Pedro II, uma das instituições de ensino mais tradicionais do Rio.
Na terça-feira (3), os outros dois réus, Mattheus Verissimo Zoel Martins e João Gabriel Xavier Bertho — ambos de 19 anos — já haviam se entregado e foram transferidos para o Presídio José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte.
Os quatro foram indiciados por estupro coletivo, com agravante de a vítima ser menor de idade, e também por cárcere privado. A 1ª Vara Especializada de Crimes contra a Criança e o Adolescente aceitou a denúncia do MP, que citou “a violência empregada e a brutalidade dos atos sexuais praticados contra a vítima” com base em relatório da Polícia Civil.
O que dizem as defesas
As defesas de Vitor Hugo e de João Gabriel afirmaram que eles negam participação no ato que acompanham o desenrolar do processo e a apuração dos fatos.
Em frente à 12ª DP (Copacabana), o advogado Ângelo Máximo, que representa Vitor, declarou que apesar do cliente admitir que esteve no apartamento onde o caso teria ocorrido, ele sustenta que não participou do ato.
Antes de se entregarem à polícia, três dos investigados recorreram ao Tribunal de Justiça para tentar suspender as prisões. Os pedidos de habeas corpus, no entanto, foram negados pela 6ª Câmara Criminal.
Menor investigado
Além dos quatro adultos, um adolescente de 17 anos também é investigado. Até o momento, não havia pedido de apreensão contra ele.
O Ministério Público do Rio (MPRJ) chegou a se manifestar contra o pedido de internação provisória do menor. Em parecer enviado à Vara da Infância e da Juventude, o promotor responsável pelo caso avaliou que não estariam presentes os requisitos para a medida socioeducativa.
O pedido de apreensão do adolescente havia sido encaminhado pela Polícia Civil ao Ministério Público no fim de semana. A decisão sobre eventual internação ainda depende de análise judicial.
Como o grupo investigado é composto por quatro adultos e um adolescente, o caso foi desmembrado. A legislação prevê tramitação distinta para menores de 18 anos, que respondem por atos infracionais, e não por crimes. Nesses casos, a medida equivalente à prisão é a internação socioeducativa.
O que apontam as investigações
O inquérito da Polícia Civil aponta que a adolescente foi convidada por um ex-namorado, que é menor de idade, para ir a um apartamento na Rua Ministro Viveiros de Castro, no dia 31 de janeiro.
Segundo o relatório, o adolescente enviou uma mensagem à jovem por volta das 18h, a chamando para o apartamento. Ele chegou a mencionar que outros dois amigos também estariam no local e sugeriu que ela levasse uma amiga. A vítima respondeu que não tinha companhia e decidiu ir sozinha.
Segundo o depoimento, ao chegar ao local, outros três jovens já estavam no imóvel. Ela relatou sido impedida de sair e sofrido agressões física e sexual. O laudo do exame de corpo de delito apontou lesões compatíveis com violência física.
Caso motivou outras denúncias e gerou repercussão entre vereadores
Nos últimos dias, outras duas jovens procuraram a polícia acompanhadas de seus responsáveis e relataram terem sido vítimas de estupro por integrantes do mesmo grupo. Os novos depoimentos estão sendo apurados e ampliam as investigações sobre o caso.
Na última segunda-feira (2), a mãe de uma adolescente de 14 anos procurou a 12ª DP (Copacabana) para registrar um abuso ocorrido em 2023. De acordo com o relato apresentado, a jovem foi violentada por um grupo de adolescentes, incluindo agressões físicas e verbais, em caso semelhante.
A repercussão do caso chegou à Câmara do Rio. Na tribuna, a vereadora Maíra do MST (PT), primeira a se manifestar, cobrou que o assunto seja tratado como pauta prioritária da Casa.
“Este é um tema que afeta todas as mulheres e meninas e que atinge a todos nós aqui do plenário. Todos temos filhas, sobrinhas, netas, e a gente precisa olhar para nossas infâncias e defendê-las. Justamente por isso a gente se pergunta: até quando corpos de meninas e mulheres serão objetos de disputa? Até quando nossos corpos serão subjugados e assolados pela violência sexual e simbólica?”, sublinhou Maíra.
Além dela, outros parlamentares também pontuaram maior necessidade de engajamento da política com a defesa das mulheres e criticou o silêncio de parte dos colegas diante da gravidade dos episódios recentes.






Deixe um comentário