MPRJ diz não haver necessidade de internação de menor investigado no caso de estupro coletivo em Copacabana

Promotoria da Infância avaliou que não há “elementos que demonstrem necessidade imperiosa” para medida socioeducativa provisória. Quatro adultos já se tornaram réus por estupro coletivo e cárcere privado; três estão presos

O Ministério Público do Estado do Rio (MPRJ) se manifestou contra o pedido de apreensão do menor de 17 anos envolvido no caso do estupro coletivo contra uma adolescente em Copacabana. Ele é investigado ainda em um outro caso semelhante que foi denunciado após a repercussão do crime na Zona Sul. A posição foi enviada na segunda-feira (2) à Vara da Infância e da Juventude.

No parecer, o promotor Carlos Marcelo Messenberg, da 1ª Promotoria da Infância e da Juventude Infracional da capital, sustentou que não estão presentes os requisitos para a internação provisória do menor.

“A internação provisória somente será admitida quando demonstrada a sua necessidade imperiosa”, escreveu. “No caso concreto, não há elementos nos autos que demonstrem a necessidade imperiosa da internação provisória do representado”.

Segundo o promotor, o adolescente não possui outras anotações por ato infracional, o que, na avaliação do MPRJ, afasta a necessidade da medida para garantia da ordem pública. “A decretação da internação provisória do representado configuraria antecipação de medida socioeducativa restritiva de liberdade”, destacou ao requerer o indeferimento da representação de busca e apreensão.

Processo desmembrado

Como o grupo investigado é composto por quatro adultos e um adolescente, o caso foi desmembrado. A legislação prevê tramitação distinta para menores de 18 anos, que respondem por atos infracionais, e não por crimes. Nesses casos, a medida equivalente à prisão é a internação socioeducativa.

O pedido de apreensão do adolescente havia sido encaminhado pela Polícia Civil ao Ministério Público no fim de semana. Cabe à Justiça decidir se acolhe ou não o parecer da promotoria.

Adultos já são réus

No processo envolvendo os maiores de idade, o próprio MPRJ opinou pela prisão dos quatro investigados. A denúncia foi apresentada por Maria Fernanda Dias Mergulhão, da 2ª Promotoria de Investigação Penal de Violência Doméstica da Área Centro do Núcleo Rio de Janeiro.

A Justiça aceitou a denúncia e tornou os quatro adultos réus por estupro coletivo e cárcere privado.

Até então, três dos envolvidos já foram presos. João Gabriel Xavier Bertho e Matheus Veríssimo Zoel Martins, ambos de 19 anos, se entregaram ontem (3) durante a tarde. Eles foram transferidos para o Presídio José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte.

Hoje, no fim da manhã, Vitor Hugo Simonin, de 18 anos, o terceiro foragido, também se entregou à Polícia Civil acompanhado do seu advogado. Ele é filho do ex-subsecretário de Governança e Compliance José Carlos Costa Simonin, que acabou sendo exonerado após a repercussão do caso.

Com isso, Bruno Felipe dos Santos Allegretti é o único investigado que segue foragido.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading