Sóstenes chama Moraes de ‘ditador psicopata’ após ministro anular decisão que salvou mandato de Zambelli

Deputados bolsonaristas atacam ministro do STF, enquanto Câmara segue sem definição sobre cumprimento da ordem que determina cassação imediata de Carla Zambelli

A crise entre Legislativo e Judiciário voltou ao centro do debate político em Brasília após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), anular a votação que havia preservado o mandato da deputada Carla Zambelli (PL-SP). A decisão desencadeou forte reação da oposição, que acusou Moraes de abuso de poder e “usurpação institucional”, elevando ainda mais a temperatura entre o Supremo e a Câmara.

O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), chamou o ministro de “ditador psicopata” e afirmou que Moraes estaria “passando por cima da vontade popular”. “Quando um ministro anula a decisão soberana da Câmara e derruba o voto popular, isso deixa de ser Justiça e vira abuso absoluto de poder”, disse o deputado em nota. Para ele, o Brasil assistiu a “um ato de usurpação institucional”.

O também deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) engrossou o tom e afirmou que “a Constituição não passa de papel higiênico para Moraes”, defendendo que apenas a Câmara tem competência para decidir sobre cassação de mandato. Ele radicalizou: “Fecha o Congresso logo, não tem por que estar aberto”.

Câmara não decidiu se cumprirá ordem

A decisão monocrática de Moraes determinou que Carla Zambelli seja cassada imediatamente e que o suplente Adilson Barroso (PL-SP) assuma o mandato em até 48 horas. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), ainda não se manifestou publicamente e não confirmou se dará cumprimento à ordem.

O primeiro-secretário da Mesa Diretora, Carlos Veras (PT-PE), afirmou que não conversou com Motta, mas considerou que “o prudente é cumprir a decisão judicial.

Na noite desta quarta-feira (10), a Câmara havia rejeitado a cassação da parlamentar. A votação terminou com 227 votos pela perda do mandato e 170 contra, sem atingir o mínimo de 257 votos necessários. Zambelli está presa na Itália, após fugir do Brasil, onde foi condenada pelo STF.

Condenação e questionamentos

Em maio, Carla Zambelli foi condenada a dez anos de prisão e à perda de mandato por invadir o sistema do CNJ com ajuda do hacker Walter Delgatti Neto — ambos já condenados. Apesar da decisão da CCJ, que havia recomendado a cassação, a maioria do plenário votou pela manutenção do mandato.

Para Moraes, essa deliberação afrontou princípios constitucionais e configurou “flagrante desvio de finalidade”. O ministro comunicou o presidente da Primeira Turma do STF, Flávio Dino, e pediu sessão virtual nesta sexta-feira (11), entre 11h e 18h, para que os demais ministros decidam se mantêm ou não sua ordem.

A Procuradoria-Geral da República também foi notificada.

Reação da esquerda

Deputados da bancadas da esquerda defenderam a decisão do STF. O líder do governo, Lindbergh Farias (PT-RJ), que havia acionado a Justiça contra a votação da Câmara, celebrou: “A condenação definitiva de Zambelli torna juridicamente impossível o exercício do mandato.”

Já o líder do PDT, Mário Heringer (MG), afirmou que a decisão de Moraes era esperada. “Uma decisão transitada em julgada, com réu preso e determinação de cassação, tem que ser obedecida”, declarou.

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