Secretaria do Ambiente do RJ exonera 250 servidores e secretário aponta esquema de funcionários fantasmas

Pente-fino promovido pela atual gestão identificou cargos sem atuação comprovada, extinguiu subsecretarias e abriu revisão de licenças ambientais concedidas nos últimos anos

A Secretaria Estadual do Ambiente e Sustentabilidade do Rio de Janeiro promoveu uma ampla reestruturação administrativa desde a saída do ex-governador Cláudio Castro (PL). De acordo com a atual gestão, cerca de 250 servidores foram exonerados após uma revisão interna que apontou a existência de funcionários sem atuação efetiva na pasta.

O trabalho foi conduzido pelo secretário Rodrigo Mascarenhas, que assumiu o comando da secretaria durante o governo interino do desembargador Ricardo Couto. Segundo ele, a análise revelou um elevado número de cargos comissionados, estruturas sem projetos definidos e pessoas que recebiam remuneração sem apresentar evidências de trabalho realizado. As informações são do RJ2 da TV Globo.

Pente-fino na estrutura

Mascarenhas afirmou que encontrou uma secretaria com um número expressivo de servidores vinculados diretamente ao gabinete do secretário. Segundo ele, mais de 130 pessoas estavam lotadas nessa estrutura quando assumiu o cargo.

A primeira medida adotada foi verificar quais servidores possuíam acesso aos sistemas administrativos e participação efetiva nas atividades da pasta. O secretário relatou que a ausência de cadastro no Sistema Eletrônico de Informações (SEI), utilizado na tramitação de processos do governo estadual, foi um dos principais critérios para identificar possíveis irregularidades.

De acordo com o secretário, 82 exonerações ocorreram logo no primeiro dia de gestão.

Crescimento acelerado

Dados da própria secretaria apontam que o número de funcionários saltou de 143 para 354 entre março de 2024 e março de 2025, período em que a pasta foi comandada por Bernardo Rossi. O crescimento foi de aproximadamente 147,5%.

Segundo a atual administração, mais de 160 servidores estavam lotados no gabinete do secretário. Após a reestruturação, esse contingente foi reduzido para apenas 18 pessoas.

Mascarenhas afirma que nenhum dos exonerados apresentou documentos ou registros que comprovassem atividades desenvolvidas dentro da secretaria.

Subsecretarias extintas

Durante a revisão, duas subsecretarias foram extintas. A Subsecretaria de Conscientização Ambiental possuía 37 cargos, enquanto a Subsecretaria de Manutenção de Áreas Verdes Urbanas contava com 14 servidores.

Segundo a atual gestão, ambas as estruturas não apresentavam projetos, ações ou atribuições concretas. Ao todo, 51 cargos ligados às duas subsecretarias foram eliminados.

Uma das áreas era comandada por Thamires Rangel, filha do deputado estadual Thiago Rangel. A ex-subsecretária afirmou que exerceu suas funções com dedicação e que os resultados de seu trabalho podem ser observados em publicações realizadas nas redes sociais.

Reforço ao Inea

A reformulação também atingiu a Subsecretaria de Infraestrutura Ambiental. Embora mantida, a estrutura foi rebaixada para o status de superintendência e teve 22 cargos extintos.

Parte das vagas eliminadas será transferida para o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), autarquia responsável pelo licenciamento ambiental e pela gestão das unidades de conservação do estado.

Segundo Mascarenhas, 97 cargos estão sendo remanejados para reforçar o órgão, que enfrenta déficit de pessoal para executar suas atribuições.

Licenças ambientais sob revisão

Além das mudanças administrativas, a Secretaria do Ambiente criou grupos de trabalho para reavaliar licenças ambientais emitidas nos últimos anos. Entre os casos analisados está o da refinaria Refit, alvo de operação da Polícia Federal em abril.

O secretário afirmou que os procedimentos serão revisados sem prejulgamentos, mas destacou a existência de denúncias sobre possíveis favorecimentos em determinados processos de licenciamento.

A pasta também prepara um novo decreto para atualizar as regras de licenciamento ambiental no estado.

O que dizem os envolvidos

O ex-secretário Bernardo Rossi negou a existência de funcionários fantasmas durante sua gestão e classificou as acusações como graves e sem comprovação.

Já Thamires Rangel afirmou que desempenhou suas funções de forma responsável e que as atividades realizadas por sua subsecretaria podem ser verificadas publicamente.

Procurado pela reportagem, o ex-governador Cláudio Castro não havia se manifestado até a publicação da matéria.

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