Servidores pedem suspensão imediata de votação sobre uso de royalties do Rioprevidência

Entidades cobram que Alerj adie análise do projeto até esclarecimento de denúncias sobre investimento de R$ 150 milhões em banco investigado

Os servidores estaduais prometem uma grande mobilização na Assembleia Legislativa (Alerj) nesta quarta-feira (22) para tentar impedir a votação do projeto de lei 6.035/2025, que autoriza o uso de royalties e participações especiais do Rioprevidência no pagamento da dívida do estado com a União.

O texto, que já entrou na pauta da última terça-feira (14), foi retirado após receber 113 emendas, mas voltou a gerar forte reação de sindicatos e associações de servidores.

Na segunda-feira (20), o Fórum Permanente dos Servidores Públicos do Estado do Rio de Janeiro (Fosperj) e o “Movimento Recomposição, Já” protocolaram um ofício ao governador Cláudio Castro, ao presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União Brasil), e a outras autoridades, pedindo a suspensão imediata da tramitação do projeto.

O documento também foi encaminhado ao Tribunal de Justiça, ao Ministério Público, à Defensoria Pública, à Procuradoria-Geral do Estado e ao Tribunal de Contas do Estado (TCE).

As entidades exigem que a proposta não volte à pauta até que sejam totalmente apuradas as denúncias sobre novos investimentos do Rioprevidência, estimados em R$ 150 milhões, em fundos ligados ao Banco Master. Segundo as denúncias, o banco teria usado outro nome para receber os recursos, mantendo o mesmo CNPJ, o que levantou suspeitas de irregularidades graves.

Denúncias e risco ao fundo de aposentadorias

De acordo com o Fosperj, o caso repete um padrão de operações consideradas de alto risco. Em 2024, a Alerj havia autorizado o uso de R$ 4,9 bilhões do Rioprevidência para quitar parte da dívida com a União, além de permitir o investimento de outros R$ 2,6 bilhões no mesmo banco, que está sob investigação da Polícia Federal. O INSS, inclusive, já havia proibido o Banco Master de conceder empréstimos a aposentados por suspeita de fraudes.

O Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) chegou a determinar a proibição de novos aportes no banco, reforçando o alerta sobre o uso dos recursos do fundo que garante aposentadorias e pensões de milhares de servidores. Para o Fosperj e o Movimento Recomposição, Já, prosseguir com a votação antes da apuração completa dos fatos seria “um grave risco ao patrimônio dos aposentados”.

Mobilização ganha força na Alerj

O ato de quarta-feira deve reunir dezenas de sindicatos que pedem o adiamento da votação e a abertura de investigação sobre o investimento de R$ 150 milhões. Ao todo, 63 entidades assinam o pedido de suspensão do projeto.

As lideranças sindicais afirmam temer a repetição da crise de 2016 e 2017, quando o estado atrasou salários e aposentadorias. “É inadmissível que quem dedicou décadas ao serviço público volte a enfrentar incerteza e descaso”, diz o ofício encaminhado ao governo.

A oposição na Alerj já avisou que, se o projeto for aprovado, recorrerá à Justiça para tentar barrar o uso dos recursos do Rioprevidência. As entidades reforçam que nenhuma movimentação de dinheiro do fundo deve ocorrer antes da conclusão das investigações.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading