O governador em exercício do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, confirmou que o governo estadual avalia a viabilidade técnica de uma recomposição salarial para servidores públicos. A sinalização foi feita durante reunião com representantes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), no Palácio Guanabara, na noite da última sexta-feira.
Segundo Couto, o estudo em andamento não se limita aos docentes e técnicos da universidade, mas contempla todo o funcionalismo do Poder Executivo, informa O Globo. A proposta busca corrigir perdas inflacionárias previstas em lei, cuja reposição está atrasada há três anos, em meio a dificuldades orçamentárias do estado.
Reposição depende de decisão sobre royalties
Apesar da abertura de diálogo, o governador em exercício condicionou qualquer avanço concreto ao julgamento no Supremo Tribunal Federal sobre a redistribuição dos royalties do petróleo, marcado para o próximo dia 6. A decisão é considerada crucial para o equilíbrio das contas públicas do Rio.
De acordo com estimativas do governo estadual, uma eventual mudança nas regras de partilha pode provocar perda de até R$ 8 bilhões anuais. Durante a reunião, Couto pediu mobilização dos servidores em apoio à tese defendida pelo estado no Supremo, destacando o impacto direto do resultado sobre a capacidade financeira para reajustes.
Crise atinge universidades e amplia pressão
A discussão ocorre em meio a um cenário de crise no ensino superior público. Professores e técnicos da Universidade Federal Fluminense, em Niterói, entraram em greve no fim de março, reivindicando recomposição salarial, retomada de benefícios como triênios e maior orçamento para a instituição.
O problema, no entanto, não se restringe ao Rio de Janeiro. Mais de 50 instituições federais e importantes universidades estaduais do Sudeste enfrentam paralisações ou mobilizações, afetando cerca de 915 mil estudantes. Na rede federal, ao menos 51 instituições registram greve de técnicos administrativos, com impacto direto em serviços essenciais como restaurantes universitários e concessão de bolsas.
Pressão por reajuste cresce no funcionalismo
O movimento nacional reforça a pressão sobre governos estaduais e federal para cumprimento de acordos firmados após paralisações anteriores. No caso do Rio, a possibilidade de recomposição salarial está diretamente ligada à capacidade fiscal do estado, hoje dependente de decisões judiciais e do comportamento da arrecadação.






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