Lula ataca omissão do Conselho de Segurança da ONU e critica potências: ‘cinco senhores de guerra’

Presidente afirma que estrutura atual da organização trava decisões e impede avanços na resolução de conflitos globais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o funcionamento do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e afirmou que o órgão deixou de cumprir seu papel original de promover a paz mundial. A declaração foi feita durante a 1ª Reunião de Mobilização Progressista Global, realizada em Barcelona, na Espanha.

Lula avaliou que a atuação da ONU está limitada pelas disputas entre grandes potências e que o modelo atual, herdado do pós-Segunda Guerra Mundial, não responde aos desafios contemporâneos. Em tom crítico, o presidente afirmou que a entidade “se transformou em cinco senhores de guerra”.

Críticas ao poder de veto e à paralisia decisória

Durante o discurso, Lula destacou que a estrutura do Conselho de Segurança — com cinco membros permanentes dotados de poder de veto — impede avanços concretos na mediação de conflitos.

“O Conselho de Segurança não permite que as coisas aconteçam. Quando um aprova uma coisa, o outro veta”, afirmou o presidente.

Ele também chamou atenção para o aumento dos conflitos armados no cenário internacional, que, segundo ele, atingem níveis sem precedentes desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Lula citou a invasão do Iraque como exemplo de intervenção baseada em informações falsas. “A invasão do Iraque foi uma mentira”, declarou, ao questionar a inexistência das armas químicas que motivaram a ofensiva.

Questionamentos sobre intervenções militares

O presidente brasileiro também mencionou ações conduzidas por países europeus e pelos Estados Unidos em regiões como Líbia, Gaza e Líbano. Para Lula, essas intervenções foram sustentadas por justificativas frágeis e interesses geopolíticos.

Ao abordar o caso do Irã, ele relembrou a tentativa de negociação liderada pelo Brasil em 2010, em parceria com Índia e Turquia. Segundo Lula, houve um acordo com o então presidente Mahmoud Ahmadinejad para limitar o enriquecimento de urânio.

“Depois de dois dias, nós conseguimos um acordo”, afirmou.

Crítica à rejeição de acordo com o Irã

Lula afirmou que o entendimento não foi aceito pelos Estados Unidos e pela União Europeia, o que, segundo ele, revela uma tendência de construção de narrativas para justificar ações futuras.

“Nós precisamos acabar com essa história de contar mentiras sobre as pessoas para depois destruir as pessoas”, disse.

O presidente também criticou estigmas atribuídos a determinadas regiões, afirmando que a América Latina é frequentemente associada ao narcotráfico, enquanto o mundo árabe é vinculado ao terrorismo. Para ele, essas generalizações influenciam negativamente a percepção internacional.

Autocrítica e reflexão política

Ao final de sua fala, Lula fez uma autocrítica ao campo progressista global. Segundo ele, setores da esquerda também contribuíram, em determinados momentos, para a consolidação de visões políticas que hoje se mostram limitadas.

“Muitas vezes nós fomos vítimas da nossa inocência política”, afirmou, ao mencionar o impacto do chamado Consenso de Washington sobre países em desenvolvimento.

A fala do presidente reforça o debate sobre a necessidade de reformulação das instituições multilaterais e o papel das grandes potências na mediação de conflitos internacionais.

Deixe um comentário

Mais recentes

Descubra mais sobre Agenda do Poder

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading