Em declaração à imprensa ao lado do presidente francês, Emmanuel Macron, nesta quinta-feira (5) em Paris, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou o que chamou de “enfraquecimento” do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Lula lamentou que, aos 80 anos, a ONU ainda sofra com um “grave déficit de legitimidade e eficácia”, algo que, segundo ele, se reflete nas crises globais, como as guerras na Ucrânia, em Gaza e a situação no Haiti.
“As Nações Unidas completam 80 anos padecendo de grave déficit de legitimidade e eficácia. As guerras da Ucrânia, em Gaza, a situação no Haiti e tantas outras crises esquecidas demonstram que a reforma do Conselho de Segurança da ONU é inadiável”, afirmou Lula durante a coletiva, destacando o impacto da falta de ação efetiva diante das crises humanitárias que assolam o mundo.
Lula enfatizou a necessidade urgente de uma reforma no Conselho de Segurança da ONU, citando a recente escalada do conflito entre a Ucrânia e a Rússia. O presidente brasileiro criticou a resistência do presidente russo, Vladimir Putin, em aceitar um acordo de paz, além da falta de poder da ONU em intervir de forma eficaz nas guerras em curso.
“Infelizmente, a ONU está enfraquecida politicamente. E a ONU tem pouco poder de dar opinião sobre a guerra — não apenas essa (entre Ucrânia e Rússia), mas qualquer outra guerra que aconteça no mundo — e isso é lamentável. É por isso que o Brasil tem brigado há muitos anos pelo fortalecimento da representação do Conselho de Segurança da ONU”, afirmou o petista, reiterando o apoio do Brasil à reforma do organismo internacional.
Lula e a Palestina
Em sua fala, Lula também voltou a cobrar uma posição mais firme da comunidade internacional em relação à situação da Palestina, principalmente no contexto do conflito em Gaza. O presidente brasileiro denunciou o que considerou um “genocídio” do povo palestino durante a retaliação de entre Israel ao grupo militante Hamas. Ele destacou a necessidade de uma ação mais contundente da ONU e das potências mundiais para cessar a violência e garantir um cessar-fogo.
“É importante que as potências mundiais deem logo um basta nisso. Não pode a ONU ficar dizendo que quer um cessar-fogo e não se respeitar um cessar-fogo. Estamos vendo um genocídio na nossa cara todo dia. Ontem, acho que morreram 95 pessoas, todos inocentes e todos civis. Não tinha nenhum chefe do Hamas”, afirmou Lula, enfatizando a tragédia humanitária que se desenrola em Gaza.
Lula ainda mencionou a posição do presidente francês, Emmanuel Macron, que recentemente afirmou que o reconhecimento da Palestina como um Estado soberano é um “dever moral”. Essa declaração reflete o alinhamento de Macron com a visão de Lula sobre a necessidade de uma solução justa para o conflito israelense-palestino.





