Senadores já veem impeachment no STF como possível enquanto Alcolumbre aguarda as eleições

Crise envolvendo Moraes e Mendonça muda o ambiente no Congresso e leva até governistas a considerar possível o afastamento de integrantes da Corte

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A escalada da crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) ampliou a pressão sobre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), para que avance com pedidos de impeachment de ministros da Corte. Apesar do novo ambiente político, aliados afirmam que o senador pretende esperar o resultado das eleições antes de tomar qualquer decisão, segundo informa a colunista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo.

A avaliação no entorno de Alcolumbre é que duas informações serão decisivas: quem ocupará a Presidência da República e qual será a composição do Senado depois da renovação de 54 das 81 cadeiras. Somente com esse novo desenho político, afirmam seus interlocutores, ele deverá avaliar se abre algum processo de impeachment e, eventualmente, contra qual ministro.

A principal mudança está no próprio Senado. O afastamento de integrantes do Supremo, antes descartado por boa parte dos parlamentares, passou a ser considerado uma possibilidade concreta inclusive por senadores que tradicionalmente resistiam à medida.

Disputa pelo comando do Senado entra no cálculo

A estratégia também está ligada à eleição para a presidência do Senado, prevista para fevereiro de 2027. Alcolumbre avalia disputar mais um mandato no comando da Casa e precisará construir uma maioria dentro de um plenário que poderá sofrer mudanças significativas nas urnas.

Nesse cenário, o impeachment de Alexandre de Moraes é visto por aliados como uma possível moeda de negociação com o grupo bolsonarista. A destituição do ministro tornou-se uma das principais bandeiras de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), especialmente após sua condenação por tentativa de golpe.

Alcolumbre mantém relação próxima com Moraes e historicamente se posicionou contra seu afastamento. Segundo pessoas próximas ao senador, essa posição não mudou. Há, entretanto, o reconhecimento de que uma expansão da bancada bolsonarista e de candidatos eleitos com discurso de enfrentamento ao Supremo poderia aumentar a pressão sobre a presidência do Senado.

O quadro ganhou outra dimensão depois das revelações envolvendo Moraes, o ministro André Mendonça e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Parlamentares avaliam que a crise pode influenciar diretamente a campanha para o Senado e fortalecer candidaturas que defendem medidas contra integrantes do STF.

Mendonça também entra no radar

A possibilidade de impeachment, porém, deixou de estar concentrada exclusivamente em Moraes. Alcolumbre discutiu com interlocutores de confiança a hipótese de abertura de processo contra André Mendonça, com quem mantém uma relação de antagonismo.

Entre os argumentos analisados está a acusação de que Mendonça teria atropelado procedimentos formais ao solicitar investigação contra Moraes. Também entraram na discussão elementos de um relatório sem assinatura mencionado por Moraes ao levantar suspeitas de abuso de autoridade envolvendo o colega.

O novo ambiente já é reconhecido até por integrantes da base governista que anteriormente rejeitavam qualquer possibilidade de afastamento de ministros do Supremo. Nos bastidores, senadores admitem que um processo contra Moraes, Mendonça ou outro integrante da Corte deixou de ser uma hipótese meramente retórica.

Um líder partidário avalia, sob reserva, que a crise poderá abrir espaço, a partir de 2027, para uma reforma mais ampla do Judiciário, eventualmente acompanhada de processos contra mais de um ministro.

Também voltaram ao debate propostas discutidas nos últimos anos, entre elas a instituição de mandato com prazo determinado para ministros do STF, em substituição ao atual modelo, no qual os integrantes permanecem na Corte até a aposentadoria compulsória aos 75 anos. Outra possibilidade mencionada é elevar a idade mínima para indicação, atualmente fixada em 35 anos.

O senador Cid Gomes (PSB-CE) defende que o próprio Supremo tenha inicialmente a oportunidade de responder à crise.

“A minha opinião é que a gente deve dar um tempo para que, diante de todos esses escândalos, o próprio Supremo dê uma posição. Acho que, se não der, o Senado ficará na obrigação de fazer alguma coisa”, diz.

Encontro entre Moraes e Alcolumbre

Em meio ao aumento da tensão, Moraes conversou pessoalmente com Alcolumbre na quarta-feira (2), um dia depois da divulgação de mensagens enviadas ao ministro por Vorcaro.

Poucas horas depois da conversa, Alcolumbre reagiu publicamente às cobranças para abrir um processo contra Moraes. O presidente do Senado mencionou o pedido de R$ 130 milhões feito ao ex-banqueiro pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro.

“Apenas um comentário, no momento adequado eu vou falar. Todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para a mesma pessoa para fazer um filme. E agora o culpado sou eu e o ministro Alexandre de Moraes”, afirmou.

Na terça-feira passada, ao ser questionado diretamente sobre a possibilidade de impeachment de Moraes, Alcolumbre também chamou atenção para a quantidade de requerimentos acumulados no Congresso e afirmou que as cobranças da oposição não são recentes.

“A minha percepção é que tem 109 pedidos, isso não é normal. [São] 109 solicitações no Congresso, [a respeito] dos dez ministros do Supremo, de pedido de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal.”

A tendência, entretanto, é que nenhuma decisão de maior alcance seja tomada antes das urnas. O resultado eleitoral deverá indicar não apenas a força do bolsonarismo no novo Senado, mas também o tamanho da pressão política que Alcolumbre enfrentará para manter bloqueados os pedidos contra ministros do Supremo.

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