Selic pode cair a 14,5% com ciclo de juros mais curto

Inflação e guerra no Oriente Médio elevam cautela do BC: Copom decide com diretoria incompleta nesta quarta-feira.

O mercado financeiro projeta que o Comitê de Política Monetária deve reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira (29), levando a Selic para 14,5% ao ano. A expectativa é considerada consenso entre analistas, mas acompanhada de um cenário mais cauteloso para os próximos meses.

Apesar da previsão de novo recuo na taxa, economistas avaliam que o ciclo de queda dos juros deve ser mais curto do que o projetado anteriormente. A mudança ocorre em meio a pressões inflacionárias e incertezas externas.

“O ambiente ficou mais desafiador e exige maior cautela”, apontam analistas do mercado.

Entre os fatores que pesam estão a alta do petróleo no cenário internacional e o impacto da guerra no Oriente Médio sobre combustíveis e alimentos.

Inflação pressiona decisões

Os dados recentes reforçam essa preocupação. O IPCA-15 acumulado em 12 meses até abril chegou a 4,37%, com influência direta do aumento dos combustíveis e da alimentação.

Além disso, o boletim Focus mostra que as expectativas de inflação seguem acima da meta, com projeções de 4,86% para 2026.

Para prazos mais longos, como 2027 e 2028, também houve revisão para cima, o que reduz o espaço para cortes mais agressivos na taxa de juros.

Impacto do cenário externo

A instabilidade geopolítica no Oriente Médio tem sido um dos principais elementos de pressão. O mercado já incorpora um risco maior no preço do petróleo, especialmente diante das tensões na região do estreito de Hormuz.

“Há um prêmio de risco mais elevado, o que impacta diretamente os custos globais”, avaliam especialistas.

Esse cenário tende a influenciar a política monetária brasileira, exigindo respostas mais conservadoras.

Reunião com desfalques

A decisão desta semana ocorre com mudanças no colegiado do Banco Central. Três diretores não participarão da reunião, incluindo vagas ainda não preenchidas pelo governo.

Assim, a definição da Selic ficará a cargo do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e de outros cinco diretores.

Expectativa para o ciclo

Expectativa para o ciclo

Instituições financeiras já revisam suas projeções para o fim do ciclo de queda da Selic. Algumas estimativas apontam que a taxa pode encerrar o período acima do previsto anteriormente.

“O espaço para cortes diminuiu diante da piora das expectativas de inflação”, indicam analistas.

Mesmo com a redução esperada nesta reunião, o ritmo das próximas decisões deve ser mais lento.

Na chamada “superquarta”, o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, também deve anunciar sua decisão de juros, com expectativa de manutenção da taxa atual.

A combinação de fatores internos e externos deve continuar influenciando os rumos da política monetária no Brasil.


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