O segundo debate desta terça-feira (22) entre candidatos ao Senado pelo Rio teve troca de farpas, divergências sobre segurança pública, STF e emendas parlamentares, além de propostas distintas para emprego e universidades. Benedita da Silva (PT), Carlos Portinho (PL), Mônica Benício (PSOL) e Waguinho (Republicanos) participaram do encontro promovido pelo g1.
Um dos momentos de maior embate ocorreu quando Benedita questionou Portinho sobre o uso político das emendas. “Portinho é muito feliz, consegue fazer o papel que seria do Executivo”, ironizou. O senador respondeu mirando a experiência da petista no Congresso: “Depois de tanto tempo no Congresso, talvez não tenha conseguido fazer o que eu fiz em pouco mais de seis anos como senador”.
Mônica também esquentou a discussão ao citar uma emenda de R$ 199 mil de Flávio Bolsonaro (PL), em episódio envolvendo Robson Calixto Fonseca, o “Peixe”, condenado por participação no assassinato de Marielle Franco. O recurso foi destinado ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio, e não diretamente a Calixto. “Esse é o destino que as emendas têm hoje em dia”, atacou. Portinho rebateu afirmando que emendas não são destinadas a pessoas.
Segurança coloca candidatos em lados opostos
O combate ao crime organizado expôs diferenças profundas. Portinho defendeu endurecimento das leis, fim da progressão de pena para determinados crimes e enquadramento como narcoterroristas de criminosos envolvidos em ações como sequestros de ônibus. Também afirmou que a retomada territorial precisa ser acompanhada de políticas sociais.
Mônica questionou a própria ideia de “retomada” e criticou políticas baseadas no confronto armado. “Esse problema não é solucionado trocando tiro”, afirmou. Benedita disse que “favela não é inimiga do Estado” e defendeu integração entre União, estado e municípios. Waguinho, por sua vez, afirmou que “o governo do PL destruiu a segurança pública” e defendeu autonomia das polícias, sob orientação do governador.
STF, anistia e trabalho acirram divergências
O STF também dividiu a mesa. Portinho classificou o momento como uma “grave crise institucional”, defendeu anistia e abertura de processos de impeachment contra ministros. Benedita pediu investigação de eventuais irregularidades sem distinção entre integrantes da Corte e defendeu independência e harmonia entre os Poderes. Mônica sustentou autonomia institucional “sem passar pano para ninguém”, enquanto Waguinho criticou o que considera concentração excessiva de poder.
No emprego, Benedita defendeu o fim da escala 6×1 e adoção da 5×2. Mônica também se posicionou contra a 6×1 e cobrou ampliação dos direitos trabalhistas. Portinho apostou no empreendedorismo, aumento do limite para MEIs e desoneração de empresas geradoras de empregos. Waguinho defendeu redução da carga tributária para atrair empresas de médio e grande porte.
Universidades entram no confronto
Na educação, Portinho citou recursos destinados a universidades e defendeu reformas em campi da UFRJ. Benedita atribuiu aos governos Lula a ampliação do acesso ao ensino superior federal, enquanto Mônica defendeu expansão, políticas de permanência e financiamento que não deixe universidades dependentes de emendas. Waguinho afirmou que o conhecimento deve chegar a todos e defendeu uma discussão sobre a distribuição de recursos.
Ao longo do encontro, os quatro candidatos expuseram diferenças sobre o papel do Estado, segurança, direitos trabalhistas, instituições e aplicação de recursos públicos, antecipando alguns dos temas que devem permanecer no centro da disputa pelas duas vagas fluminenses no Senado.






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