O deputado republicano Thomas Massie apresentou artigos de impeachment contra o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, e abriu caminho para uma votação na Câmara dos Representantes. O parlamentar acusa o chefe do Pentágono de violar a legislação estadunidense ao conduzir operações militares no Irã sem autorização do Congresso. As informações são do jornal estadunidense The Washington Post.
Massie, representante do Kentucky, levou ao plenário oito artigos de impeachment. Três deles sustentam que Hegseth teria descumprido diferentes dispositivos da Resolução dos Poderes de Guerra de 1973, legislação criada para estabelecer limites à participação dos Estados Unidos em conflitos armados sem autorização do Legislativo.
A iniciativa tem caráter privilegiado, mecanismo que obriga a Câmara a analisar a matéria em prazo curto. Segundo as regras aplicáveis à resolução apresentada por Massie, os deputados terão de lidar com o pedido dentro de dois dias legislativos, embora a liderança republicana possa tentar arquivá-lo por meio de uma votação.
Acusações vão além da guerra no Irã
O pedido de impeachment não se restringe à atuação dos EUA no Irã. Massie acusa Hegseth de abuso de autoridade em operações militares contra embarcações que os Estados Unidos apontavam como envolvidas com o tráfico de drogas e questiona a atuação do secretário no caso do senador democrata Mark Kelly.
Os artigos também incluem acusações relacionadas à operação que resultou na captura de Nicolás Maduro e Cilia Flores na Venezuela e às ações militares dos EUA no Iêmen. Outro artigo acusa Hegseth de desrespeitar normas destinadas a reduzir mortes de civis durante operações militares. As afirmações integram a acusação apresentada por Massie e ainda serão submetidas à apreciação política da Câmara.
Ao defender a iniciativa, Massie sustenta que as hostilidades contra o Irã ultrapassaram os prazos previstos pela legislação estadunidense sem que o Congresso aprovasse uma declaração de guerra ou autorização específica para o uso das Forças Armadas.
Pentágono defende Hegseth
O Pentágono reagiu às acusações defendendo a atuação do secretário de Defesa. Em comunicado, o secretário de imprensa Kingsley Wilson descreveu Hegseth como um “líder transformador” para o departamento.
Wilson afirmou que “todo o Departamento está unido em torno da visão do Secretário e continuará trabalhando para colocar nossos combatentes e a América em primeiro lugar”.
A manifestação não respondeu individualmente às acusações apresentadas nos oito artigos de impeachment.
Guerra no Irã também pressiona Trump no Congresso
A ofensiva de Massie ocorre em meio a uma disputa mais ampla no Congresso sobre os poderes de guerra do governo Donald Trump. Nesta terça-feira (15), a Câmara aprovou, por 220 votos a 204, uma resolução destinada a interromper as hostilidades dos EUA contra o Irã sem autorização legislativa. Sete republicanos se juntaram aos democratas na aprovação da medida.
A resolução sobre a guerra é independente do pedido de impeachment apresentado contra Hegseth. A iniciativa de Massie, no entanto, obriga os integrantes da Câmara a se posicionarem sobre as acusações contra o secretário às vésperas das eleições legislativas de 3 de novembro.
Embora a proposta enfrente obstáculos para avançar em uma Câmara controlada pelos republicanos, sua apresentação formal coloca a condução das operações militares pelo chefe do Pentágono no centro do debate legislativo sobre a guerra no Irã.







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