A Força Espacial dos Estados Unidos reconheceu, pela primeira vez, que mantém armas posicionadas em órbita. Segundo um porta-voz do órgão, os equipamentos podem ser utilizados para defender as forças americanas contra ações consideradas hostis e também em operações ofensivas.
A declaração não especificou quais armas estão em operação nem quantos equipamentos fazem parte do arsenal. A Força Espacial, criada como braço orbital do Pentágono durante o governo de Donald Trump, afirmou que suas capacidades permitem disputar e controlar o domínio espacial.
A confirmação ocorre em meio à expansão das atividades militares de Estados Unidos, Rússia e China no espaço. As três potências mantêm sistemas destinados a monitoramento, comunicação e outras operações que podem ter impacto em eventuais conflitos.
Armas podem atingir satélites
O jornal The Washington Post, com base em uma fonte do Pentágono, informou que os armamentos americanos poderiam inutilizar um satélite utilizado contra tropas dos Estados Unidos em território terrestre ou contra outro satélite americano.
O secretário da Força Aérea dos EUA afirmou que a existência dessas capacidades é importante para a estratégia de dissuasão. Ele não explicou, porém, por que o governo decidiu tornar pública a informação neste momento.
A Força Espacial declarou que o chamado controle espacial inclui as missões necessárias para disputar e controlar o ambiente orbital. O órgão também ressaltou que as capacidades existentes podem ter utilização tanto defensiva quanto ofensiva.
Rússia e China ampliam atuação
A militarização do espaço começou junto com a própria exploração orbital. O Tratado do Espaço Sideral, de 1967, proíbe a colocação de armas de destruição em massa, incluindo armas nucleares, no espaço, mas não impediu o desenvolvimento de outras capacidades militares.
A Rússia já foi acusada pelos Estados Unidos de realizar testes com equipamentos capazes de atingir satélites. Em 2020, Moscou foi acusada de testar um projétil lançado em órbita. Também houve registros de aproximações consideradas suspeitas entre equipamentos russos e satélites europeus.
Moscou nega as acusações, embora tenha demonstrado capacidade de interferir em sistemas de comunicação via satélite. Esse tipo de operação também foi observado durante a guerra na Ucrânia, quando sistemas de comunicação baseados em satélites tiveram papel estratégico.
EUA defendem preparação para uma guerra orbital
A China também vem ampliando sua presença militar no espaço. Em junho, uma espaçonave não tripulada chinesa colocou em órbita um satélite que, segundo analistas militares citados pela Reuters, teria capacidades avançadas de monitoramento.
Os mesmos especialistas destacaram que os Estados Unidos operam sistemas semelhantes, considerados importantes para possíveis conflitos futuros. A disputa envolve principalmente a capacidade de acompanhar, interferir ou neutralizar equipamentos de outros países.
Em abril, o chefe do Comando Espacial dos EUA, general Stephen Whiting, afirmou que os americanos deveriam estar preparados para um conflito no espaço. Ele defendeu uma postura mais agressiva, com possibilidade de utilização de interceptadores e outros armamentos caso a dissuasão não funcione.
Risco de conflito pode afetar sistemas na Terra
Especialistas avaliam que uma guerra no espaço poderia provocar consequências além dos países envolvidos diretamente. Satélites são utilizados em sistemas de comunicação, navegação, monitoramento e outras atividades essenciais para a sociedade.
A destruição de um satélite também pode gerar fragmentos em órbita, aumentando o risco para outros equipamentos espaciais. Segundo Juliana Suess, especialista em guerra espacial do Royal United Services Institute, um desses episódios poderia gerar dúvidas sobre uma possível ação deliberada ou um acidente.
A avaliação é que o aumento das capacidades militares de diferentes potências amplia o risco de erros de cálculo. Uma ação contra um equipamento em órbita poderia ser interpretada como um ataque e provocar uma escalada entre países.







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