O candidato ao Governo do Rio Anthony Garotinho (Republicanos) aparece em 12 processos registrados no Banco Nacional de Devedores Trabalhistas (BNDT), segundo levantamento publicado pelo UOL nesta segunda-feira (21). Ao todo, 343 candidatos que disputam as eleições de 2026 constam no sistema mantido pela Justiça do Trabalho.
Entre os postulantes a cargos majoritários, são 12 nomes: dois candidatos à Presidência da República, três aos governos estaduais e sete ao Senado. Além de Garotinho, estão na relação o presidenciável Renan Santos (Missão), o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) e o deputado federal Arthur Lira (PP-AL), candidato ao Senado.
A inscrição no BNDT não torna um candidato inelegível. A base reúne pessoas físicas e jurídicas com débitos decorrentes de processos trabalhistas em fase de execução. Antes da inclusão, o processo passa por etapas que incluem defesa, julgamento, possibilidade de recursos e cálculo do valor devido.
Garotinho aparece em 12 processos
No caso de Garotinho, os 12 processos são relacionados à AGP Produções, cujo nome fantasia é Palavra de Paz. Segundo o levantamento, a empresa promovia shows evangélicos no interior do Rio e reunia ainda uma distribuidora de discos, a Top God Spell, e a organização sem fins lucrativos Missão Palavra de Paz.
Entre as reivindicações apresentadas por ex-funcionários estão reconhecimento de vínculo empregatício e diferenças de depósitos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Trabalhadores alegaram nos processos que recebiam salário “por fora” e sem registro na carteira. O CNPJ da empresa consta como inapto na Receita Federal desde 2024 por omissão de declarações, de acordo com a reportagem.
Garotinho declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de R$ 167 mil. O UOL informou que procurou a assessoria do candidato nos dias 17 de agosto e 3 de setembro, mas não recebeu resposta.
Renan Santos tem quatro processos citados
A lista também inclui Renan Santos, candidato à Presidência pelo Missão, que tem defendido durante a campanha a extinção da Justiça do Trabalho. A certidão vinculada ao candidato menciona quatro processos.
Um deles teve início em Jundiaí, em 2013, e envolve a Martin Artefatos de Metais, fábrica de esquadrias da qual Renan fez parte do quadro societário. A empresa foi condenada, em 2016, a pagar R$ 39 mil referentes a salários, 13º e outros direitos. Após tentativas de cobrança, o nome do candidato acabou incluído no banco de devedores. Renan declarou patrimônio de R$ 795 mil ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O candidato afirmou que o valor referente ao processo de Jundiaí foi depositado judicialmente como garantia de pagamento. Sobre outras ações citadas na certidão, sua equipe declarou:
“Nos dois processos de Betim (MG) — nº 0011573-57.2014.5.03.0027 e 0010635-93.2013.5.03.0028 — Renan foi incluído indevidamente, e sua defesa já requereu sua exclusão. O processo de Camaçari (BA), nº 0094600-33.2009.5.05.0131, é de 2009 e está arquivado desde 2013, razão pela qual será apurado por que ainda consta na certidão.”
Rio tem 31 candidatos na relação
Dos 343 candidatos identificados pelo levantamento, 77 concorrem por São Paulo e 31 pelo Rio de Janeiro, os dois estados com os maiores números apontados pela apuração. Há representantes de 24 dos 30 partidos que disputam as eleições. DC e Republicanos têm 28 candidatos cada na relação, enquanto o PL registra 21 e o PT, nove.
Entre os candidatos a cargos majoritários, Alexandre Kalil é citado em 13 processos relacionados às empresas de engenharia Erkal e Fergikal. As pendências com valores divulgados somam mais de R$ 4 milhões. O candidato afirmou que “todas as obrigações trabalhistas de empresas da família Kalil foram resolvidas com o depósito de R$ 13 milhões em conta judicial, valor que está à disposição da Justiça”.
Também aparecem entre os candidatos a cargos majoritários Wilson Grassi (Democrata), Estêvão (DC), Geraldo Rufino (Podemos), Antônio José Lira (Avante), Bruno Scheid (PL), Dailson Corrêa (DC), Gilvan Costa (Democrata) e Simplício Araújo (DC).
Horas extras, adicionais de insalubridade, férias, FGTS, indenizações e verbas rescisórias estão entre as reivindicações encontradas nos processos analisados. Em parte dos casos, os candidatos não eram os empregadores diretos, mas foram incluídos nas cobranças na condição de sócios ou sucessores de empresas.







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