Quem é ‘Sister Hong’: homem fingia ser mulher, fez centenas de vítimas e lucrou com vídeos sem consentimento

O influenciador Jiao marcava encontros em sua casa e pedia presentes como frutas, leite e óleo

Uma mulher de cabelos longos, maquiagem pesada no rosto e um batom vermelho marcante. Esta é a ‘Sister Hong’, que se apresentava como divorciada na web para marcar encontros sexuais com homens. A história, porém, ganhou novos contornos.

No dia 6 de julho, a polícia de Nanjing, na China, prendeu Jiao, um influenciador chinês de 38 anos por gravar clandestinamente encontros sexuais com as vítimas e lucrar com as vendas em grupos privados e redes sociais. Segundo a investigação, os vídeos eram vendidos por 150 yuan (cerca de R$ 116).

Jiao declara ter se encontrado com 1.961 homens e gravado os encontros, mas os agentes já descartaram o número. Estima-se, no entanto, que centenas de homens foram vítimas de filmagem sem consentimento.

Chinês de 38 anos se apresentava como mulher nas redes sociais | Reprodução

O disfarce detalhado

O influenciador se apresentava em aplicativos de relacionamento como uma mulher divorciada, usando maquiagem pesada, perucas, próteses de silicone e até modulação de voz e filtros digitais para manter a ilusão.

Para marcar os encontros, ele exigia presentes simples — como frutas, leite, óleo ou até melancia — em vez de pagamento em dinheiro. Algumas das vítimas desistiam ao perceber o disfarce, mas todos não sabiam que estavam sendo gravados.

Homem percebeu fraude ao tocar no rosto de influenciador | Reprodução

A fraude exposta

Só após a prisão o esquema começou a vir à tona. Uma das vítimas reconheceu-se num vídeo que circulava na internet e acionou a polícia, que então abriu a investigação e deteve Jiao sob acusação de divulgação de material obsceno.

O caso viralizou rapidamente em todo o mundo nesta sexta-feira (18) e muitos exigem que o homem seja processado por violação de privacidade e outros crimes.

Os vídeos vazaram massivamente em plataformas como Weibo, TikTok e X, e várias vítimas foram identificadas por amigos, familiares e parceiros — em muitos casos, resultando em exposição pública, término de relacionamentos e humilhação nas redes.

Alguns parceiros descobriram o conteúdo após suas namoradas ou esposas reagirem em vídeos ao vivo ou publicações confrontando-os com o material exposto.

As implicações legais

As investigações apontam que Jiao pode responder a pelo menos sete acusações graves, incluindo pornografia sem consentimento, violação de privacidade e uso indevido de imagem. Na China, a fabricação e distribuição de material obsceno pode resultar em até 10 anos de prisão, considerando a extensão do conteúdo e os lucros obtido.

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