Incêndio que matou 128 pessoas em Hong Kong é apagado após dois dias

Fogo no complexo Wang Fuk Court levou 43 horas para ser controlado; mais de 200 pessoas seguem desaparecidas

Os bombeiros de Hong Kong encerraram, nesta sexta-feira (28), o combate ao incêndio que devastou o complexo habitacional Wang Fuk Court, no bairro de Tai Po. As chamas foram totalmente apagadas às 10h28, no horário local — 23h18 de quinta-feira no Brasil —, após 43 horas de trabalho ininterrupto das equipes de emergência.

A atualização mais recente das autoridades aponta 128 mortos, 79 feridos hospitalizados e cerca de 200 desaparecidos. O desastre já é considerado o incêndio mais mortal da história de Hong Kong, superando a tragédia do edifício Garley, que deixou 41 vítimas em 1996.

Sete prédios atingidos e buscas continuam

Mesmo com o fogo controlado, equipes de resgate permanecem nos escombros à procura de sobreviventes e vítimas. O Wang Fuk Court tem mais de 2 mil apartamentos e abriga aproximadamente 4 mil moradores. O incêndio se alastrou por sete dos oito edifícios que compõem o complexo, dificultando o trabalho de bombeiros e socorristas.

Moradores relataram dificuldade para evacuar o local devido à fumaça densa e à rápida propagação das chamas. A dimensão do estrago só foi compreendida quando os primeiros andares colapsaram, revelando a extensão da destruição.

Material inflamável pode ter intensificado as chamas

O condomínio estava em reforma desde julho de 2024 e tinha praticamente toda a fachada coberta por andaimes de bambu e telas verdes de proteção. Parte desse material, segundo as autoridades, era altamente inflamável e pode ter contribuído para a velocidade com que o fogo se espalhou (veja vídeo abaixo).

Durante a investigação preliminar, agentes identificaram um tipo de isopor inflamável utilizado para cobrir janelas de elevadores e lonas que não seguiam padrões adequados de segurança. Essas irregularidades levantaram suspeitas sobre a responsabilidade da construtora que atuava no prédio.

Até o momento, cinco pessoas foram presas por homicídio culposo, entre diretores e funcionários da empreiteira responsável pela obra. “Temos razões para acreditar que os responsáveis da empresa foram gravemente negligentes, o que levou a esse acidente e permitiu que o fogo se espalhasse de forma incontrolável, causando muitas mortes”, afirmou a superintendente Eileen Chung, segundo o jornal South China Morning Post.

Assistência às vítimas e famílias desabrigadas

Com centenas de moradores desabrigados, o governo de Hong Kong começou a estruturar medidas emergenciais. Em mensagem publicada nas redes sociais, a secretária de Habitação, Winnie Ho Wing-yin, informou que estão sendo oferecidas mais de 1.400 unidades habitacionais — entre moradias de transição e alojamentos temporários — distribuídas em vários bairros da cidade. Ela reforçou que famílias afetadas receberão apoio psicológico e assistência financeira.

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