Soranz reage após ser chamado de ‘bicha pão com ovo’ e acusa Marcelo Diniz de violência política; vídeo

Ex-secretário municipal de Saúde afirma que foi alvo de intimidação por parte do vereador Marcelo Diniz e promete manter atuação política em regiões da Zona Oeste

O deputado federal e ex-secretário municipal de Saúde do Rio, Daniel Soranz (PSD), reagiu nesta terça-feira (9) aos ataques feitos pelo vereador Marcelo Diniz (PSD) durante sessão da Câmara Municipal. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Soranz afirmou ter sido vítima de um “ataque covarde” e classificou o episódio como um caso de violência política.

A resposta nas mídias sociais ocorreu horas depois de Diniz subir à tribuna para fazer duras críticas ao ex-secretário, seu correligionário e potencial adversário interno na disputa por espaço político dentro do PSD. Durante o discurso, o vereador acusou Soranz de continuar exercendo influência sobre a Secretaria Municipal de Saúde mesmo após deixar o cargo para disputar as eleições deste ano.

“Quem não tem argumentos recorre à agressão e à baixaria. Eu seguirei fazendo o meu trabalho, defendendo o SUS e trabalhando por projetos que melhoram a vida da população. Não me intimido com ataques nem me desvio da minha missão”, afirmou Soranz.

Ataques na tribuna

Ao discursar no plenário da Câmara, Marcelo Diniz elevou o tom das críticas e fez acusações contra a gestão da saúde municipal.

“A Secretaria de Saúde do município do Rio é a pior de todo o estado. Prefeito Eduardo Cavaliere, esse recado é para o senhor: abre o olho. A secretaria tem um dono, que é Daniel Soranz”, declarou.

Em seguida, o vereador dirigiu ataques pessoais ao ex-secretário. Em uma fala considerada homofóbica por parlamentares e integrantes da área da saúde, Diniz chamou Soranz de “bicha pão com ovo”.

“Secretário, você é um vagabundo. Você tá mexendo com a pessoa errada. Aqui tem homem. Eu sou vereador da cidade e sou homem. Você entrou numa guerra que você não vai vencer. Nem a própria classe da saúde vota em você, ninguém gosta de você. Bicha, pão com ovo”, afirmou.

Posteriormente, ainda durante a sessão, o parlamentar pediu desculpas especificamente pela última expressão utilizada.

“Reitero tudo o que eu disse, mas quero retirar minha última fala, que foi uma fala infeliz, para não pensarem que eu sou preconceituoso”, declarou.

Soranz fala em intimidação

Na resposta divulgada após o episódio, Soranz afirmou que a discussão ultrapassou o campo das divergências políticas e entrou no terreno da intimidação.

Segundo ele, o vereador se comporta como se determinadas regiões da Zona Oeste fossem propriedades políticas exclusivas.

“Não se trata de discutir política pública de saúde. Se trata de um vereador que acha que a Muzema, o Itanhangá, a Tijuquinha, o Rio das Pedras e o Morro do Banco são propriedades dele. Que nenhum outro deputado federal pode entrar lá”, afirmou.

O ex-secretário também declarou que continuará atuando politicamente nessas regiões e que não aceitará qualquer tipo de intimidação.

Críticas à saúde municipal

Marcelo Diniz sustentou que decidiu atacar a gestão de Soranz após visitar unidades de saúde em Jacarepaguá e no Itanhangá.

Segundo o vereador, moradores relataram dificuldades para obter medicamentos e atendimento médico.

“Falta médico, falta remédio. Conversei com moradores e encontrei falta de analgésicos, remédios para pressão alta, diabetes, asma e anti-inflamatórios”, afirmou.

Soranz rebateu as críticas destacando obras e investimentos realizados durante sua passagem pela Secretaria Municipal de Saúde. Entre os exemplos citados estão a ampliação da rede de clínicas da família, a modernização do Hospital Municipal Lourenço Jorge, melhorias no Hospital Municipal Raphael de Paula Souza e a implantação do Super Centro Carioca de Saúde.

Disputa interna no PSD

O embate evidencia uma disputa que vinha sendo tratada nos bastidores do PSD carioca. Tanto Soranz quanto Marcelo Diniz atuam em regiões estratégicas da Zona Oeste e disputam influência política dentro do partido.

Ao final do pronunciamento, Soranz agradeceu as manifestações de solidariedade recebidas de profissionais da saúde, lideranças políticas e vereadores que condenaram os ataques ocorridos no plenário da Câmara.

“Intimidação política não passará. Cada ataque que a gente levar, mais força a gente vai ter para avançar”, declarou.

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