A violência ocupa o primeiro lugar entre os principais problemas do Brasil, 79% dos brasileiros consideram que ela aumentou nos últimos dois anos e 67% avaliam que a punição aos criminosos diminuiu. Ao mesmo tempo, cresce o respaldo ao uso de tecnologia no enfrentamento à criminalidade: 86% se dizem favoráveis à aplicação de inteligência artificial na segurança pública, enquanto 93% consideram efetiva a integração de câmeras de monitoramento com IA e o trabalho policial. Os dados fazem parte de uma pesquisa nacional da Quaest em parceria com a Pax, que também mediu a avaliação das instituições de segurança, o apoio a diferentes políticas de combate ao crime e a expectativa da população sobre as propostas dos candidatos a governador. No recorte eleitoral, 91% concordam total ou parcialmente que os planos de governo deveriam incorporar IA e novas tecnologias às medidas tradicionais de segurança.
A violência aparece como o principal problema do Brasil para 28% da população, à frente da corrupção, citada por 22%, da economia, com 19%, e da saúde, com 15%. O dado abre um amplo retrato sobre segurança pública e tecnologia feito pela Quaest em parceria com a Pax, em pesquisa nacional realizada em setembro.
O levantamento ouviu 2.004 brasileiros com 16 anos ou mais, entre os dias 12 e 15 de setembro, por meio de entrevistas presenciais com questionários estruturados. A margem de erro estimada é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

Os resultados revelam uma combinação de forte percepção de insegurança, cobrança por punições e apoio expressivo ao emprego de inteligência artificial, câmeras e integração de dados no combate ao crime.
Violência cresce na percepção dos brasileiros
Para 70% dos entrevistados, a violência no país “aumentou muito” nos últimos dois anos. Outros 9% dizem que aumentou um pouco, o que leva a 79% a parcela que percebe algum crescimento. Apenas 5% enxergam redução, enquanto 15% avaliam que a situação permaneceu igual.
Entre aqueles que afirmam que a violência aumentou, 73% atribuem essa percepção simultaneamente ao crescimento do número de crimes e ao fato de os delitos terem ficado mais violentos. Outros 14% apontam apenas maior quantidade de crimes e 12%, aumento da violência das ocorrências.
A sensação de menor punição também é predominante. Para 67%, a punição aplicada a criminosos tornou-se menor nos últimos anos. Outros 22% acreditam que ela aumentou e 11% não souberam ou não responderam.
Na avaliação das instituições na área de segurança, as polícias apresentam os maiores índices positivos. A Polícia Militar dos estados tem 45% de avaliação positiva, a Polícia Federal, 44%, e a Polícia Civil, 41%. Prefeituras aparecem com 39% e governos estaduais, 34%. O governo federal registra 26% de avaliação positiva e 36% negativa, enquanto Judiciário/Justiça tem 23% de positiva e 35% de negativa.

Câmeras e inteligência artificial recebem apoio elevado
O levantamento também perguntou quais medidas são consideradas efetivas para melhorar a segurança pública. Duas propostas aparecem com 93% de concordância: educar melhor e oferecer mais oportunidades aos jovens e utilizar câmeras de monitoramento integradas com inteligência artificial e o trabalho policial.
Na sequência, 92% concordam com leis mais rígidas para punir criminosos; 90% defendem investimento em inteligência, com maior utilização de tecnologia entre as forças policiais; e outros 90% apoiam mais policiamento nas ruas. Ações duras contra facções, como megaoperações em comunidades, são apontadas como efetivas por 80%. A criação de um Ministério da Segurança Pública recebe concordância de 78%, enquanto 58% apoiam restringir o acesso da população a armas de fogo.
Quando a pergunta trata diretamente de inteligência artificial, 60% se declaram totalmente favoráveis ao uso dessas ferramentas na segurança pública e 26% dizem ser mais favoráveis do que contrários. Somados, são 86% com posição favorável. Do outro lado, 9% se colocam em algum grau contra, 2% são neutros e 3% não souberam responder.
A pesquisa também identifica as ressalvas entre os entrevistados contrários à tecnologia. Nesse grupo, 16% citam como principal motivo o risco de erros ou de identificação injusta de pessoas; 15% acreditam que a tecnologia não funciona ou não melhora a segurança; e 12% mencionam invasão de privacidade ou vigilância. Outros 10% dizem não confiar em IA ou tecnologia e 8% temem manipulação, ataques ou vazamento de dados.
Tecnologia entra no debate eleitoral
Ao avaliar em quais áreas a tecnologia pode ajudar mais, considerando a soma da primeira e da segunda escolhas, o combate ao feminicídio e à violência contra a mulher aparece na liderança, com 28%. Busca de pessoas desaparecidas e combate a roubos e furtos têm 18% cada, enquanto o combate às facções criminosas alcança 17%. O enfrentamento de crimes violentos, como homicídios, aparece com 16%.
O levantamento conecta diretamente essa percepção às eleições estaduais. Questionados se candidatos a governador deveriam incluir em seus planos propostas de inteligência artificial e novas tecnologias para a segurança pública, além das medidas tradicionais de combate à criminalidade, 77% concordam totalmente e 14% concordam em parte. Somadas, as duas respostas chegam a 91%. Apenas 5% discordam total ou parcialmente.
Os números mostram que medidas tecnológicas e ações tradicionais não são apresentadas pelos entrevistados como alternativas excludentes. Há índices elevados de concordância tanto com câmeras integradas à IA e investimento em inteligência quanto com policiamento nas ruas, leis mais rígidas e políticas de educação e oportunidades para jovens.







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