A Polícia Civil investiga as circunstâncias da morte de Jéssica Duarte Gonçalves, de 28 anos, cinco dias depois de ela dar à luz a terceira filha no Hospital da Mulher Mariska Ribeiro, em Bangu, na Zona Oeste do Rio. A jovem morreu no domingo (13), após apresentar um quadro grave de infecção. O enterro aconteceu nesta quarta-feira (16).
Enquanto a família se despedia de Jéssica, a filha recém-nascida, Jade, permanecia internada em estado grave no Centro de Terapia Intensiva (CTI). Segundo familiares, a bebê também apresenta um quadro de infecção.
A investigação deverá esclarecer se houve negligência no atendimento prestado à mãe. A família afirma que Jéssica sentia fortes dores abdominais antes de receber alta. O hospital sustenta que ela foi avaliada e não apresentava queixas que indicassem gravidade naquele momento.
Dores começaram após o parto
Jéssica deu entrada no Hospital da Mulher Mariska Ribeiro em 8 de setembro para o nascimento da terceira filha. De acordo com o marido, Jonathan Vieira de Moura, a gestação transcorreu sem complicações e o parto foi normal.
Jade nasceu saudável e pesando quase quatro quilos. Depois do nascimento da filha, porém, Jéssica começou a reclamar de fortes dores abdominais.
Jonathan afirma que a mulher recebeu soro e dipirona, mas não foi submetida a exames de imagem para investigar as dores. Segundo ele, os sintomas continuaram e a barriga da mulher estava inchada quando ela recebeu alta, 48 horas depois do parto.
“Olharam minha mulher e falaram assim: bota ela no soro e dá dipirona”, relatou o marido. Ele também afirmou que uma profissional retirou coágulos durante o atendimento e que as dores continuaram piorando.
Retorno e cirurgia de emergência
Segundo Jonathan, aproximadamente uma hora depois de chegar em casa, Jéssica apresentou piora e precisou retornar ao Hospital da Mulher Mariska Ribeiro.
De acordo com o relato do marido, ela chegou à unidade em estado grave e foi intubada. Em uma conversa gravada por Jonathan, uma funcionária informou que Jéssica apresentava um quadro de infecção que estava se generalizando.
A paciente foi posteriormente transferida para o Hospital Municipal Albert Schweitzer, também na Zona Oeste. Lá, passou por uma cirurgia para retirada do útero e dos ovários, mas não resistiu às complicações e morreu no domingo.
Segundo o atestado de óbito, as causas registradas foram choque misto, coagulação intravascular disseminada (CID), sepse puerperal e atonia uterina, condição em que o útero não consegue se contrair adequadamente depois do parto.
Hospital contesta versão da família
O Hospital da Mulher Mariska Ribeiro informou que Jéssica passou pelas avaliações indicadas para o período pós-parto e apresentava boas condições gerais. Segundo a unidade, a alta ocorreu 48 horas após o nascimento da bebê, “sem queixas que indicassem sinal de gravidade”.
A versão é contestada pela família.
“Isso é mentira. Ela não melhorou. Por que não fizeram os exames que tinham que ser feitos na hora, quando ela estava após o parto sentindo muita dor?”, questionou Jonathan.
A Secretaria Municipal de Saúde foi questionada sobre a alegação de que não teria sido realizado exame de imagem para investigar as dores antes da alta. Até a última atualização das informações disponíveis, não havia apresentado resposta sobre esse ponto.
A Polícia Civil agora apura o atendimento recebido por Jéssica e as circunstâncias que antecederam sua morte.
Bebê permanece no CTI
Jade continua internada em estado grave. Segundo familiares, a recém-nascida apresenta um quadro de infecção. O pai acompanha a filha no hospital enquanto enfrenta a perda da mulher.
“Era um momento para estar feliz, agora com a nossa filha em casa, e está sendo um momento de… um momento triste. Eu não sei nem explicar”, disse Jonathan.







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