O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) reagiu nesta quinta-feira (17) ao reajuste de 15,04% do Bolsa Família anunciado pelo governo Lula (PT). Durante comício em Vitória da Conquista, na Bahia, o senador classificou a medida como um “ato de desespero” e afirmou que o aumento teria motivação eleitoral. A acusação é contestada pelo governo.
“Não caiam em mais uma falsa promessa da picanha porque o Lula, num ato de desespero, acabou de fazer um decreto, mesmo sabendo que é ilegal e que é proibido durante as eleições”, declarou Flávio.
A afirmação sobre a ilegalidade do reajuste representa a posição do candidato. Nesta quinta, o ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), rejeitou uma ação apresentada pelo deputado Zé Trovão (PL-SC) para barrar o aumento, mas não analisou o mérito da controvérsia sobre a legislação eleitoral.
Flávio promete manter benefício
Flávio também afirmou que, caso seja eleito, pretende manter o Bolsa Família. Ao criticar o momento escolhido pelo governo para anunciar a correção, o candidato lembrou que faltam 17 dias para o primeiro turno.
“Fez uma coisa que não fez em quatro anos de governo e, faltando 17 dias para eleição, ele acha que vai enganar alguém dando reajuste no Bolsa Família”, afirmou o senador, antes de declarar que acredita que vencerá a eleição. Essa última afirmação expressa uma expectativa do próprio candidato, e não uma previsão sobre o resultado eleitoral.
O reajuste anunciado por Lula eleva o piso do Bolsa Família de R$ 600 para R$ 691. Os novos valores começam a ser pagos em 19 de outubro. Segundo o governo, o percentual de 15,04% corresponde à inflação acumulada pelo INPC entre março de 2023 e agosto deste ano.
Campanha critica impacto econômico
O coordenador político da campanha de Flávio, senador Rogério Marinho (PL-RN), também criticou a decisão. Em nota, afirmou que o governo estaria usando dinheiro público como instrumento eleitoral e disse que Lula “dá com uma mão e tira com as duas”.
Marinho associou sua crítica a impostos, juros, inflação e endividamento das famílias. As declarações fazem parte da argumentação política da campanha de Flávio contra o governo.
O reajuste terá custo adicional estimado em R$ 5,8 bilhões em 2026 e R$ 22,7 bilhões em 2027. A despesa não constava das propostas orçamentárias e exigirá ajustes para ser incorporada às contas públicas.
Bolsa Família entra no debate eleitoral
O anúncio ocorre em meio à campanha presidencial. Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta mostra que, entre eleitores que recebem Bolsa Família ou moram com um beneficiário, Lula registra 53% das intenções de voto no primeiro turno e Flávio, 28%. Nesse recorte, a margem de erro é de cinco pontos percentuais. A maior parte das entrevistas ocorreu antes do anúncio do reajuste.
O uso de benefícios sociais em períodos eleitorais já provocou controvérsia em eleições anteriores. Em 2022, durante o governo Jair Bolsonaro, o valor mínimo do então Auxílio Brasil passou de R$ 400 para R$ 600. Na ocasião, a campanha de Lula questionou medidas adotadas pelo governo Bolsonaro na Justiça Eleitoral.







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