O Governo do Estado concluiu 30 auditorias em contratos que somam pelo menos R$ 2,6 bilhões e estão sob suspeita na gestão do ex-governador Cláudio Castro. Os resultados foram encaminhados pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI) ao Ministério Público do Rio (MPRJ).
O objetivo do governo é que as promotorias aprofundem as investigações, uma vez que a administração estadual chegou ao limite de sua atuação na esfera administrativa. O trabalho identificou desde milhares de livros encaixotados, sem destinação indicada para alunos da rede estadual, até contratos de limpeza de praças firmados por um instituto de regularização fundiária.
Ordem do governador
A varredura foi determinada pelo Decreto 50.254/2026, após a Plataforma de Suporte aos Controles Internos da Controladoria-Geral do Estado (CGE) apontar indícios de sobrepreço.
A ordem para a realização das auditorias em todos os órgãos da administração direta e indireta partiu do governador em exercício, Ricardo Couto. A partir da análise dos contratos, os auditores encontraram sinais de possíveis irregularidades.
Cursos on-line
Um dos casos considerados emblemáticos envolve a contratação de cursos on-line. A Secretaria Extraordinária de Representação do Governo em Brasília (SERGB) contratou, sem licitação, o Instituto NTC do Brasil Ltda. para ministrar seminários virtuais, ao vivo, destinados a 4.800 inscritos. O contrato foi firmado por R$ 7.660.800.
Segundo os auditores, “nos quatro seminários realizados, o percentual de participantes com carga horária zerada foi superior a 90%”. Apenas nove pessoas foram consideradas aptas a receber a certificação.
Livros armazenados
As auditorias também analisaram dois contratos da Secretaria de Governo, no valor total de R$ 153,9 milhões, destinados à compra de livros.
Entre os materiais adquiridos estavam 100 mil kits com publicações paradidáticas sobre os riscos do consumo de álcool ao volante, comprados por R$ 25,7 milhões. Grande parte dos exemplares foi encontrada armazenada em um depósito.
O material deverá ser distribuído durante as operações da Lei Seca. A auditoria também destacou a existência de uma proposta para o fornecimento dos mesmos kits por R$ 12,9 milhões.







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