Promotoria denuncia 16 por lavagem de dinheiro do PCC na Carbono Oculto

Investigação aponta uso de combustíveis adulterados, empresas de fachada, fintechs e fundos de investimento para movimentar quase R$ 3 bilhões

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O Ministério Público de São Paulo denunciou 16 pessoas investigadas na Operação Carbono Oculto por suspeita de integrar um esquema de organização criminosa e lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo a Promotoria, a estrutura movimentou R$ 2,978 bilhões entre 2019 e 2025 e utilizou negócios no setor de combustíveis e mecanismos financeiros para inserir recursos ilícitos na economia formal, informa Fausto Macedo, em seu blog no Estado de S.Paulo.

A ofensiva, realizada em conjunto com a Polícia Federal e a Receita Federal, atingiu empresas e pessoas apontadas como parte do chamado “andar de cima” da facção. A investigação identificou atuação em postos e distribuidoras de combustíveis, além do uso de instituições de pagamento e Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs).

Os 16 denunciados:

  • Admar de Carvalho Martins (vulgo “Dema”)
  • Cesar Cirne Leal
  • Ed Charles Giusti
  • Edson da Silva Santos
  • Everton Felipe de Barros (vulgo “Soró”)
  • Filipe Studzinski de Souza
  • Fernando de Matos Gutierres
  • Giosimar Jose Caldato
  • Giovani Dadalt Crespani
  • José Frederico Modolin Filho
  • Murilo Foresto de Souza
  • Roberto Augusto Leme da Silva, (vulgo “Beto Louco”)
  • Rodrigo Augusto Alves de Carvalho Bortone
  • Ruy Azevedo Gutierres
  • Thiago Gomes Ribeiro
  • William Lopes da Silva Júnior

Entre os denunciados está o empresário Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, apontado pelos investigadores como um dos principais articuladores do esquema. Ele está foragido e, segundo o processo, seria líder da estrutura montada a partir da Duvale Distribuidora de Petróleo. A Aster Petróleo, empresa ligada a ele, teria movimentado ao menos R$ 88 milhões.

Combustíveis e metanol

De acordo com a denúncia, o esquema envolvia importação irregular e adulteração de combustíveis, inclusive com uso fraudulento de nafta petroquímica, além de compras simuladas, falsificação de documentos e sonegação de impostos. Um relatório da Polícia Federal estima que mais de 10 milhões de litros de metanol tenham sido desviados para utilização irregular em postos.

A investigação começou após a Polícia Rodoviária Federal encontrar, em maio de 2023, um semirreboque transportando uma “substância perigosa”, posteriormente identificada como metanol. A apuração apontou que o produto, de uso industrial controlado, era desviado para abastecer postos na Grande São Paulo.

Segundo o Ministério Público, os envolvidos utilizavam empresas de fachada, instituições de pagamento e FIDCs sem lastro econômico real para ocultar a origem, a movimentação e os beneficiários dos valores.

A Promotoria afirma ainda que os denunciados inseriram valores milionários no mercado formal sob aparência lícita, incompatíveis com os rendimentos declarados ao Fisco. O “Beto Louco”, conforme a acusação, teria obtido R$ 261,3 milhões em benefícios financeiros decorrentes do esquema.

Observação: As acusações apresentadas pelo Ministério Público ainda serão submetidas à análise da Justiça. O espaço para manifestação das defesas dos acusados permanece aberto.

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